Não é surpreendente que trabalhadores se posicionem a favor da redução da jornada de trabalho para quatro dias por semana. Estudos mundo afora têm comprovado a eficiência da escala 4×3 e os benefícios deste modelo tanto para o empregado como para o empregador.
Uma das principais pesquisadoras dos experimentos da “Semana de 4 Dias” nos Estados Unidos, Juliet Schor —economista, socióloga e autora do livro “Quatro Dias por Semana”— reforça a tese e explicou ao ‘CNBC Make It’ as razões pelas quais a escala 4×3 torna as pessoas mais felizes em seus empregos.
O que aconteceu
Há dois fatores principais para o aumento da felicidade dos trabalhadores. Segundo Juliet Schor, o primeiro deles é que as pessoas têm mais tempo para suas famílias, amigos, sono, hobbies, saúde e comunidades.
Além disso, os trabalhadores ficam mais felizes mesmo durante o expediente. A semana de quatro dias faz as pessoas se sentirem muito mais eficazes no trabalho, e isso as torna mais felizes em geral.
Os participantes dos testes relataram que eram mais produtivos do que nunca após a mudança para uma semana reduzida. Ao enfrentarem a tarefa de realizar a mesma quantidade de trabalho em menos tempo, trabalhadores e equipes encontraram maneiras de eliminar tarefas desnecessárias, otimizar processos e determinar qual trabalho era realmente mais importante
Juliet Schor, ao CNBC Make It.
Além de manter a produtividade, “as pessoas simplesmente se sentem muito melhor”, diz Juliet. “Elas se sentem no controle de seu trabalho e de sua vida, e não estão estressadas. Sentem-se recuperadas quando chegam ao trabalho na segunda-feira de manhã. Sentem-se mais animadas para trabalhar. Sentem que conseguem dar conta do trabalho”, complementa.
Quando os trabalhadores sentem que são bons em seus empregos, eles se sentem bem no geral, e isso se reflete em suas vidas pessoais. Esse aumento de produtividade que eles experimentam, de se sentirem tão bem com a qualidade do seu trabalho, tem um grande impacto positivo em seu bem-estar geral, o que nunca esperamos
Juliet Schor.
Semana de 4 dias: testada e aprovada
Nos últimos cinco anos, centenas de empresas testaram uma semana de trabalho de quatro dias e 32 horas, sem cortes salariais, para cerca de 8.700 trabalhadores ao redor do mundo. As pessoas experimentaram menos esgotamento, estresse e ansiedade, além de melhor saúde mental e física, segundo informações da CNBC Make It.
Os funcionários avaliaram seu equilíbrio entre trabalho e vida pessoal como mais alto. As empresas também saíram no lucro, literalmente, aumentando o seu faturamento.
As empresas brasileiras que participaram do experimento notaram um aumento de 60% no engajamento dos funcionários. Houve ainda crescimento na colaboração (85,4%), além de uma melhora de 61,5% na execução de projetos e de 44% na capacidade das equipes de cumprirem prazos.
19 empresas participaram dos experimentos no Brasil. Os números foram divulgados em abril deste ano em um relatório da “Reconnect Happiness At Work”, por meio da “4 Day Week Brazil”, organização sem fins lucrativos e parceira no Brasil da “4 Day Week Global”, responsável por viabilizar o experimento no país.
Faz bem à saúde
Uma semana com quatro dias de trabalho e três de descanso também faz bem à saúde. É o que concluiu outro estudo, conduzido pela universidade americana Boston College, publicado na segunda-feira passada (21).
Como foi o teste. Os pesquisadores observaram, por seis meses, 141 empresas na Austrália, Canadá, Irlanda, Nova Zelândia, Reino Unido e Estados Unidos que demonstraram interesse na mudança. Por outro lado, 12 empresas que mantiveram a escala 5×2 também foram avaliadas como ‘grupo de controle’.
Notamos que os funcionários nas empresas que reduziram os dias de trabalho tiveram reduções significativas de burnout, além de melhora na saúde mental e física. A satisfação com o trabalho também aumentou
Wen Fan, autora do estudo.
Fonte: UOL.COM.BR

