ANDRÉ MENDONÇA TRATA CASO DE LULINHA DE FORMA DIFERENTE DO DE ACM NETO, DIZ PF EM RELATÓRIO A MORAES – rosarioitanews

ANDRÉ MENDONÇA TRATA CASO DE LULINHA DE FORMA DIFERENTE DO DE ACM NETO, DIZ PF EM RELATÓRIO A MORAES

By Rosário News set12,2026

Artigo da jornalista Mônica Bérgamo na FSP de 3 de setembro, afirma que Relatórios de inteligência da Polícia Federal apontam que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal). André Mendonça daria tratamentos diferentes conforme o grupo político, segundo documentos revelados em decisão do ministro Alexandre de Moraes desta quinta (3).

Segundo a PF, em uma reunião no dia 13 de agosto, Mendonça teria afirmado que o candidato ao governo baiano ACM Neto (União Brasil) exercia uma atividade de representação de interesses “dentro dos limites permitidos”. A formulação indicaria que, na avaliação atribuída ao ministro, a atuação de Neto não configuraria, naquele momento, uma conduta irregular.

O relatório compara essa avaliação com o tratamento dado a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. De acordo com os investigadores, os dois casos poderiam envolver situações semelhantes, mas estariam sendo analisados com critérios diferentes. A PF registra a possibilidade de adoção de “padrões probatórios distintos” conforme a identidade política dos investigados.

“Em reunião presencial de 13/8/2026, o relator [Mendonça] manifestou percepção de que ACMNeto, candidato ao Governo da Bahia, aparentaria estar exercendo atividade de representação de interesses dentro dos limites do permitido. A situação fática apurada quanto a ele guarda similaridade relevante com a de Fábio Luís Lula da Silva o que sugere a adoção de standards probatórios distintos conforme o espectro político da pessoa envolvida nos fatos”, diz o relatório citado por Moraes.

O trecho está mencionado em decisão em que Moraes pede que Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso Master e INSS (Institutos Nacional do Seguro Social).

O despacho foi assinado no âmbito do inquérito das fake news e encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, para providências.

Lulinha é alvo de três inquéritos da PF. Como mostrou a Folha, Mendonça já se queixou da demora da PF em apurações sobre as fraudes no INSS e vê uma tentativa de impedir que elas avancem sobre aliados e familiares do presidente Lula (PT), candidato à reeleição em 2026.

Já ACM Neto apareceu em mensagem enviada por Daniel Vorcaro, do Master, ao empresário Fábio Faria, ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL).

Na troca de mensagens, por meio do aplicativo WhastApp, o ex-banqueiro afirma: “Mas está tudo certo. Estou indo para Brasília. Amanhã acho que assina Augusto. ACM foi lá em casa”. Faria responde: “Bom demais”. A conversa foi registrada em 22 de maio de 2024.

O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) afirma que, de 2 de março de 2023 a 3 de maio de 2024, a A&M Consultoria Ltda, empresa de ACM e da esposa dele, recebeu R$ 3,6 milhões do Master e da Reag, gestora de recursos suspeita de envolvimento com o crime organizado. Segundo o Coaf, a A&M movimentou “recursos expressivos, acima de sua capacidade financeira declarada.

Anteriormente, ACM Neto disse à Folha que a empresa prestou serviços de consultoria, “notadamente relacionados à análise da agenda político-econômica nacional”, e negou qualquer tipo de irregularidade. Disse, ainda, que não existia nada que desabonasse o Master e a Reag no período do contrato.

No pedido de Moraes para investigação de Facchin, ele afirma que Mendonça conduziu irregularmente tratativas de delações premiadas e direcionou determinados alvos para a investigação “por motivos pessoais e políticos, inclusive com a indicação prévia de medidas cautelares” a serem apresentadas pela PF (Polícia Federal).

Esses alvos seriam o próprio Moraes e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP).

A medida é tomada por Moraes dois dias depois de Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF que aponta o colega como o interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Na decisão, Mendonça sinalizou que levará ao plenário a possibilidade de investigar Moraes.

Fachin decidiu abrir um procedimento para esclarecer as nulidades alegadas pela PGR (Procuradoria-Geral da República), solicitando a todos os envolvidos, inclusive a Moraes e Mendonça, manifestações em até cinco dias úteis.

Da Redação
Foto: Greg Salibian – Folhapress

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