Ex-comandante da Aeronáutica confirma tentativa de golpe de Bolsonaro e relata como foi a resistência.
Carlos Baptista Junior afirma que ameaça de ruptura após a eleição de Lula foi real, descreve pressão sobre comandantes militares e diz considerar justa a condenação do ex-presidente.Em 2022, Carlos de Almeida Baptista Junior, comandante da Aeronáutica, resistiu às pressões para que os militares aderissem a uma ruptura institucional. Esta é a primeira vez que um integrante da cúpula militar daquele período relata, em livro, os bastidores da crise que ameaçou a democracia brasileira.
O depoimento evidencia a gravidade da crise aberta depois das eleições. Não se tratava apenas da retórica de grupos inconformados com o resultado das urnas, mas de discussões que alcançaram o núcleo do poder e envolveram diretamente os principais responsáveis pelo comando militar brasileiro.
Em 2021 e 2022, o Brasil viveu momentos em que a continuidade da democracia dependeu, em parte, de decisões tomadas dentro dos quartéis. Entre abril de 2021 e janeiro de 2023 – período mais tenso da relação entre Bolsonaro e a cúpula militar –, o tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior estava lá: como comandante da Aeronáutica, acompanhou de perto as pressões para que as Forças Armadas aderissem a uma tentativa de ruptura institucional, que teria seu desfecho nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, após a derrota do então presidente nas urnas.
A experiência vivida durante a transição presidencial de 2022 expôs os riscos provocados pela politização dos quartéis e pela tentativa de transformar as Forças Armadas em árbitro de conflitos que devem ser resolvidos pelo voto e pelas instituições civis.
O relato do ex-comandante da Aeronáutica acrescenta uma visão interna sobre aqueles acontecimentos: Bolsonaro buscava apoio dos chefes militares enquanto crescia, entre seus apoiadores, a pressão por medidas destinadas a impedir a posse de Lula.
Para Baptista Junior, compreender a história brasileira é essencial para evitar que os militares sejam novamente utilizados como instrumento de disputas pelo poder.
Piloto de Caça com mais de quatro mil e quinhentas horas de voo e carreira construída desde 1975 na Força Aérea Brasileira, Baptista Junior dá um testemunho raro, sincero e corajoso sobre a real espessura da crise institucional brasileira e sobre o que, afinal, fez com que a ruptura não se concretizasse.
Relato completo em jornal Folha de São Paulo – Da Redação
EU DISSE NÃO! – UMA TRINCHEIRA ANTIGOLPISTA

