TRAMA GOLPISTA: UMA OU QUATRO TENTATIVAS DE GOLPE? – rosarioitanews

TRAMA GOLPISTA: UMA OU QUATRO TENTATIVAS DE GOLPE?

By Rosário FM mar19,2024

Quem acompanha nosso site deve ter estranhado que não tenha saído ainda nenhuma notícia sobre a trama golpista. O motivo é simples: com tanta informação aparecendo ao mesmo tempo preferimos esperar um pouco e trazer os pontos principais, mesmo sabendo que tem muita coisa ainda pra vir à tona!
Segundo o professor e historiador Francisco Carlos da Silva, “o que a gente sabe efetivamente do que aconteceu entre o primeiro, o segundo turno e a posse de Lula é que o Bolsonaro tentou aprontar, e não conseguiu, foi não uma tentativa de golpe e sim quatro tentativas de golpe. O primeiro foi no 7 de setembro de 2021 quando ele reuniu multidões em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro e disse que não ia mais acatar sentenças do Supremo Tribunal Federal e iria mandar prender essas pessoas e que tinha que caçá-las. Ali houve uma primeira tentativa e foi até o Temer que entrou na jogada dizendo que não era bem isso etc… A segunda tentativa se deu na antevéspera do dia 30 de outubro de 2022 quando ficou claro que ele perdia o segundo turno e aí aparecem as minutas tanto do Anderson Torres quanto a do telefone do tenente coronel Mauro Cid sobre a intervenção de instituição do Superior Tribunal Eleitoral e convocação de novas eleições que iriam dar a vitória ao segundo colocado nas eleições. A terceira tentativa foi no dia da proclamação do vencedor no dia 12 de Dezembro de 2022 quando se teve aquele primeiro ensaio de destruição em Brasília com a invasão da Polícia Federal e a quarta e última foi no 8 de janeiro de 2023. Quer dizer que ao longo de todo o Mandato de Bolsonaro a questão de golpe de estado e de alteração da ordem constitucional foi uma temática permanente. O 8 de janeiro não foi algo que aconteceu de repente como um raio em Céu Azul.”
Leandro Demori, do Intercept, afirma que “depois que o ministro Alexandre de Moraes retirou o sigilo de 27 depoimentos à Polícia Federal na última sexta-feira (15/03), o que se suspeitava veio à tona: Bolsonaro era um dos articuladores da tentativa de golpe após as eleições de 2022”. A íntegra dos 27 depoimentos foi liberada. Ela contém vários nomes próximos a Bolsonaro e que ocupavam cargos do alto escalão como os ex-ministros Walter Braga Neto, Augusto Heleno, Anderson Torres, entre outros. Quase todos ficaram calados, mas dois peixes grandes abriram a boca e colocaram Bolsonaro no centro de tudo.
Os depoimentos mais explosivos ficaram a cargo de Freire Gomes e Baptista Júnior. Ambos deram detalhes sobre reuniões em que Bolsonaro e o ex-ministro da Defesa Paulo Sergio Nogueira trataram da minuta do golpe. Alguns trechos dos depoimentos chamaram a atenção: segundo o ex-chefe da Aeronáutica, Carlos Almeida Baptista Junior, o ex-comandante do Exército, Marco Antônio Freire Gomes, chegou a afirmar que, caso Bolsonaro insistisse com a tentativa de golpe, poderia prender o ex-presidente. Também conforme o depoimento do ex-comandante, o Exército não participaria de nenhum movimento golpista e que Bolsonaro poderia, inclusive, ser responsabilizado juridicamente caso tivesse levado o plano até o fim. O brigadeiro Baptista Junior também afirmou que em uma reunião entre Bolsonaro e os comandantes das Forças Armadas, disse ao então presidente que não existia qualquer possibilidade de o inelegível permanecer no poder após 31 de dezembro de 2022.
Ao contrário dos então comandantes do Exército e da Aeronáutica, o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier Santos, estava disposto a aderir à intentona golpista.
Agora, e cada vez mais, parece que não falta mais nada para que Bolsonaro seja denunciado e vire réu por tentativa de golpe de estado. Bolsonaro enfrenta condenações e investigações por ataques ao sistema eleitoral e outros crimes, estando inelegível até pelo menos 2030. Entretanto, caso seja processado e condenado pelos delitos de tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado democrático de Direito e associação criminosa, poderá enfrentar uma pena de até 23 anos de prisão e ser declarado inelegível por mais de três décadas.
O jornal Estado de S. Paulo defende, em editorial publicado no domingo 17 de março, punição máxima para o ex-presidente Jair Bolsonaro, em razão da intentona golpista. “Inconformado com a derrota eleitoral, Bolsonaro se moveu para pôr tropas armadas nas ruas a fim de sustentá-lo no cargo, sob a falsa justificativa de que a eleição não teria sido limpa. Tramou prender autoridades políticas e judiciárias. Por óbvio, teria lançado suas garras também sobre a imprensa profissional e independente. No limite, Bolsonaro assumiu o risco de derramar o sangue de concidadãos em nome de um projeto pessoal de poder”. E continua o Editorial: “Eis a dimensão da sordidez. Ao tempo que fazia chegar ao País a informação de que estaria ‘deprimido’ por não ter sido reeleito, Bolsonaro, na verdade, estava maquinando o fim da democracia, cuja reconquista tanto custou aos brasileiros. Que isso não saia barato”.

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