SAIBA POR QUE NOS SENTIMOS MAIS MELANCÓLICOS EM DEZEMBRO
Dezembro chegou. É neste período que muitas pessoas fazem uma espécie de “balanço geral” dos últimos 12 meses e percebem que praticamente metade dos planos e objetivos traçados não foram cumpridos. O fim de mais um ciclo, ao lado das tradicionais festas de fim de ano, pode desencadear sentimentos de ansiedade, melancolia e até quadros de depressão e insônia em pessoas mais sensíveis. Isso tem até um nome: síndrome de fim de ano.
“A síndrome de fim de ano, ou a dezembrite, é um diagnóstico popular que não é formalmente codificado pela psiquiatria nem pela psicologia, mas é uma forma simples de nomearmos um sofrimento recorrente, que afeta várias famílias nesse período do ano”, explica o psicanalista Christian Dunker, que também é professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP).
Especialistas dizem que a síndrome de fim de ano pode afetar qualquer pessoa e é uma forma de nomear um estado emocional, seja por fazer um balanço do ano que passou, seja por trazer lembranças, frustrações e lutos não elaborados.
O que desencadeia o problema?
Há várias razões que ajudam a explicar por que as pessoas ficam mais melancólicas nesse período. Primeiro, é um momento de transição, marcando o encerramento de um ciclo, o que provoca angústia e um estado genérico de temor pelas mudanças que virão com o início do novo ano. Esta é uma data em que muitas pessoas tomam decisões. Pode envolver mudança de emprego, separação de casal, mudança de casa, de cidade. É um conjunto de circunstâncias.
O segundo ponto é que, especialmente no Natal, as pessoas geralmente participam de celebrações que envolvem reuniões familiares, com amigos e colegas de trabalho. Este período é compreendido por muitos como um momento de renovação, reencontro e festividades, mas pode trazer à tona possíveis conflitos dentro da própria família que podem não estar bem resolvidos.
Tem como evitar a síndrome de fim de ano?
É difícil evitar ou prevenir a síndrome de fim de ano porque as circunstâncias são muito variadas de pessoa para pessoa. Não é possível prever, por exemplo, se alguém perderá o emprego ou se um casal decidirá se separar, pois são eventos pontuais e individuais que podem afetar as pessoas de formas distintas.
No entanto, existem recomendações para tornar esse período menos melancólico. A primeira delas é fazer um balanço do ano com calma e cuidado, escrevendo sobre as conquistas e o que ainda não foi alcançado em relação às metas estabelecidas: “leve a sério essa tarefa”, recomenda Dunker.
A segunda dica é não ter medo de fazer esse balanço, não ter medo de olhar para a própria vida, porque esse é o momento em que todos estão “convidados” a viver essa situação.
O terceiro ponto é entender que as festividades significam um reencontro com o passado. Então, é preciso ter paciência e tolerância e não esperar demais, porque isso pode trazer certas decepções.
Criar perspectivas para o futuro é importante tanto do ponto de vista objetivo quanto subjetivo. O problema é que frequentemente confundimos metas, objetivos e métricas com os nossos sonhos. Só precisamos ter o cuidado de não confundir os sonhos com as metas para não chegar ao fim de mais um ano infeliz.
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