Delação de Ronnie Lessa foi fundamental para a prisão dos mandantes. Os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão foram presos neste domingo (24/03) apontados como mandantes do atentado contra Marielle Franco, em março de 2018, no qual também morreu o motorista Anderson Gomes.
O delegado Rivaldo Barbosa também foi preso, suspeito de atrapalhar as investigações. Os três foram alvos de mandados de prisão preventiva expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A Operação Murder, Inc. (assassinato com nova corporação) foi deflagrada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e pela Polícia Federal (PF). O caso era investigado pela PF desde fevereiro do ano passado.
Domingos é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ); Chiquinho é deputado federal pelo União Brasil — e por isso tinha foro especial; Rivaldo era chefe da Polícia Civil à época do atentado e hoje é coordenador de Comunicações e Operações Policiais da instituição. Chegou ao posto em 2018, nomeado pelo então interventor na segurança pública do estado, Walter Braga Netto, que foi candidato a vice na chapa com Bolsonaro em 2022. Fontes da Secretaria de Segurança Pública informaram que Barbosa pode ter encoberto os mandantes do crime, o que dificultou a conclusão do caso até hoje.
Domingos foi citado no processo desde o primeiro ano das investigações, em 2018, e chegou a depor no caso 3 meses após o atentado.
Outros Delegados afastados
Além das três prisões neste domingo, foram expedidos 12 mandados de busca e apreensão na sede da Polícia Civil do Rio e no Tribunal de Contas do Estado.
Entre os alvos estão o delegado Giniton Lages, titular da Delegacia de Homicídios à época do atentado e Marcos Antônio de Barros Pinto, um de seus principais subordinados. O ministro Alexandre de Moraes determinou o afastamento dos dois das atuais funções. Erica de Andrade Almeida Araújo, mulher de Rivaldo, teve busca e apreensão decretada, bens bloqueados e a suspensão da atividade comercial de sua empresa, que, segundo a PF, lavava dinheiro para o marido.
Os agentes apreenderam documentos e levaram eletrônicos para perícia.
Quem já foi preso no caso Marielle. Até agora, sete suspeitos estão presos:
• Domingos Brazão, atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado;
• Chiquinho Brazão, deputado federal do Rio de Janeiro;
• Rivaldo Barbosa, ex-chefe de Polícia Civil do Rio;
• Edilson Barbosa dos Santos, o Orelha, apontado como o responsável por desmanchar o Cobalt usado na execução;
• Ronnie Lessa, apontado como o autor dos disparos que mataram e vereadora e o motorista;
• Élcio de Queiroz, confessou que dirigia o carro usado na execução;
• Suel, acusado de ceder um carro para Ronnie Lessa esconder as armas usadas no crime.
Em delação, Ronnie Lessa disse que exploração imobiliária pelas milícias levou ao assassinato de Marielle Franco. Lessa relata que esteve com mandantes após assassinato e que grupo político poderoso disse que investigação não ia dar em nada.
Com informações do G1 e CNN

