POSSÍVEL AUMENTO DO HIV NO MUNDO – rosarioitanews

POSSÍVEL AUMENTO DO HIV NO MUNDO

By Rosário News jul30,2026

Primeiro é preciso esclarecer a diferença entre HIV e AIDS: A principal diferença é que o HIV é o vírus causador da infecção, enquanto a aids é a doença em estágio avançado que surge quando o vírus enfraquece muito o corpo. Toda pessoa com aids tem o HIV, mas quem tem HIV não significa que desenvolveu a aids.

Embora o número global de novos casos de HIV tenha caído 42,9% desde 2010, existe um alerta para um risco real de ressurgimento da epidemia em partes do mundo devido a cortes drásticos de verbas internacionais e alta de infecções em 21 países, incluindo o Brasil, que registrou avanço de 21,9% no mesmo período.

Fatores de Risco e Desafios Globais

  • Corte de verbas: Redução expressiva no financiamento de doadores externos e de apoio comunitário.
  • Queda na prevenção: Redução drástica na distribuição de insumos básicos, como preservativos e acesso a profilaxias.
  • Grupos vulneráveis: Impacto severo em serviços voltados para profissionais do sexo, homens gays e sobreviventes de violência de gênero.

Cenário no Brasil

  • Contramão mundial: O país integra o grupo de nações com alta superior a 20% nos novos casos na última década.
  • Pontos positivos: O país avançou na testagem, atingiu metas de supressão viral e eliminou a transmissão vertical do HIV em gestantes em grande escala.

O alerta de agravamento da AIDS está no relatório especial da UNAIDS – “Unidas e Unidos para acabar com a AIDS”, divulgado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) durante a 26ª Conferência Internacional de AIDS (AIDS 2026), realizada no Rio de Janeiro.

Segundo o documento, a combinação entre cortes no financiamento internacional, redução dos serviços comunitários e dificuldades de acesso à prevenção pode comprometer décadas de progresso e provocar um ressurgimento da epidemia global de HIV.

Embora as novas infecções e as mortes relacionadas à AIDS estejam nos menores níveis dos últimos 30 anos, o UNAIDS afirma que a resposta global está fragilizada e que o objetivo de acabar com a AIDS como ameaça à saúde pública até 2030 corre risco caso não haja retomada da solidariedade internacional e redução das desigualdades.

Em 2025, foram registradas 1,2 milhão de novas infecções por HIV no mundo e 570 mil mortes relacionadas à AIDS.

Progresso existe, mas é desigual

O relatório mostra que os resultados variam significativamente entre os países.

O relatório destaca que o mundo vive um momento considerado histórico no desenvolvimento de medicamentos preventivos contra o HIV.

Segundo o UNAIDS, novas tecnologias oferecem níveis de proteção comparáveis aos de uma vacina.

Entre os avanços estão:

  • medicamentos injetáveis de aplicação mensal;
  • medicamentos injetáveis semestrais;
  • comprimidos de uso mensal que ainda estão em fase avançada de testes.

Apesar desse cenário, a agência afirma que o principal obstáculo continua sendo garantir que essas tecnologias cheguem às pessoas que mais precisam, porque inovação sem acesso não é inovação, é injustiça. O verdadeiro teste do sucesso não é se os medicamentos existem, mas se as pessoas que precisam deles conseguem obtê-los, e a um preço acessível.”

O relatório cita o Brasil entre os países que ampliaram o acesso à prevenção medicamentosa.

Segundo o documento, o país registrou um aumento de 41% no número de pessoas que utilizaram medicamentos preventivos contra o HIV pelo menos uma vez no último ano.

O novo medicamento Lenacapavir ainda alcança pequena parcela da população por ser muito caro.

Um dos principais alertas do relatório diz respeito ao financiamento internacional.

Segundo o UNAIDS, a assistência oficial ao desenvolvimento entrou em colapso em 2025.

A ajuda internacional destinada ao desenvolvimento caiu 23%, a maior redução já registrada, afetando especialmente a área da saúde global.

A situação é especialmente preocupante para países africanos de baixa renda, muitos dos quais dependiam de recursos externos para financiar mais de 90% de suas ações contra a epidemia. Sem novos investimentos, o UNAIDS afirma que os serviços de prevenção correm risco de colapso.

Em alguns países, o financiamento para preservativos foi reduzido em mais de 90%.

Além da crise financeira, o relatório aponta um aumento da criminalização de populações vulneráveis.

Segundo o UNAIDS, pela primeira vez desde que começou a acompanhar essas tendências, houve crescimento no número de países que criminalizam grupos mais expostos ao HIV.

De acordo com o relatório, atualmente:

  • 168 países criminalizam o trabalho sexual;
  • 152 países criminalizam a posse de pequenas quantidades de drogas;
  • 66 países criminalizam relações consensuais entre pessoas do mesmo sexo;
  • 14 países criminalizam pessoas trans.

“Não é possível acabar com a AIDS enquanto se criminalizam as pessoas que vivem com HIV e aquelas mais vulneráveis à infecção. Quando as pessoas têm medo de prisão, violência ou discriminação, elas se afastam dos serviços de HIV. Os direitos humanos não são algo separado da resposta ao HIV; eles são essenciais para o seu sucesso.”

Novas metas para 2030

Apesar dos desafios, o relatório destaca que, em junho de 2026, 149 Estados-Membros adotaram uma nova Declaração Política sobre HIV e AIDS, alinhada à Estratégia Global para a AIDS 2026-2031.

As metas estabelecidas para 2030 incluem:

  • colocar 40 milhões de pessoas em tratamento;
  • garantir acesso à prevenção baseada em antirretrovirais para 20 milhões de pessoas;
  • reduzir para menos de 10% a proporção de pessoas vivendo com HIV ou em risco que sofram estigma e discriminação;
  • reduzir para menos de 10% a proporção de mulheres, meninas e pessoas vivendo com HIV ou em risco expostas à desigualdade de gênero e violência;
  • reduzir para menos de 10% o número de países que mantenham legislações e políticas punitivas que limitem o acesso aos serviços de HIV.

Segundo o UNAIDS, o cumprimento integral dessas metas poderá evitar 3,2 milhões de novas infecções e 1,3 milhão de mortes relacionadas à AIDS até 2030.

Ao apresentar o relatório, Winnie Byanyima afirmou que o fim da epidemia ainda é possível, mas depende de decisões tomadas agora. A escolha diante de nós é nítida: recuar e arriscar um ressurgimento da epidemia, ou repensar, reconstruir e avançar para acabar com a AIDS como ameaça à saúde pública até 2030.”
Reportagem completa no G1 -Da Redação

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