O nome do padre Júlio Lancellotti foi colocado no meio de uma disputa política depois que um vereador do União Brasil pediu a abertura de uma CPI para investigar a ação de ONGs que trabalham com a população de rua na cidade de São Paulo. Por trás dessa disputa, um problema de mais de três décadas: a Cracolândia, região da capital paulista onde dependentes químicos alimentam o vício a céu aberto.
O padre Júlio Lancellotti reflete porque o nome dele foi parar na boca de quem pede a abertura de uma CPI na Câmara Municipal de SP. “Talvez porque identifiquem em mim as pessoas com quem eu convivo. Pessoas que incomodam a sociedade, em situação de rua, dependentes químicos”, diz, ao citar uma população que “ninguém quer ver”.
Atuante há quatro décadas, padre Júlio faz uma retrospectiva do que viu e testemunhou sobre o crescimento da Cracolândia. E aponta como a política para lidar com a população de rua muda a cada quatro anos, com a mudança nos governos locais: “a questão da população de rua não é tratada como política de estado, mas como política de governo, por isso sofre com a questão de continuidade”, resume.
Ao menos quatro vereadores que assinaram o pedido de abertura de CPI para investigar o padre Júlio Lancelotti e as ONGs que atuam no Centro de São Paulo retiraram o apoio nesta quinta-feira (4/01).
Os vereadores Thammy Miranda (PL), Xexéu Tripoli (PSDB), Sidney Cruz (Solidariedade) e Sandra Tadeu (União Brasil) se disseram “enganados” pelo vereador Rubinho Nunes (União Brasil), autor do pedido para investigar apenas ONGs que atuam na Cracolândia.
Filho da cantora Gretchen, Thammy Miranda disse que está especialmente chateado com o que ele chama de “manobra política para angariar apoio eleitoral nas redes sociais”. “No passado, eu tive apoio do padre quando fui atacado [pela minha condição de homem transexual]. Ele podia ter ficado quieto, mas me defendeu. Jamais eu faria nada contra o trabalho lindo que ele desenvolve com as pessoas carentes. Esse vereador [Rubinho] está usando da minha imagem, que naturalmente tem repercussão, para atacar o trabalho do padre Júlio. Isso é inaceitável e vai contra a minha índole. É uma manobra política para angariar apoio eleitoral nas redes sociais”, afirmou.
Com informações do G1

