A Associação de Mulheres de Itaberaba Maria Felipa (AMIMF) realizará um momento de celebração e homenagens no próximo domingo (31/08) no Salão Madre Teresa de Calcutá na Capela São Cristóvão, situada a Praça Lauro Silva.
Na ocasião será homenageada a senhora Laurita Gomes de Jesus, que têm uma história de mais de 30 anos em defesa das causas sociais e feminina de Itaberaba e região.
A presidente da Associação Nilzabete Jesus da Silva, esteve no programa Voz da Comunidade, acompanhada da Secretaria da Associação Maria Euice para convidar as mulheres de Itaberaba para o evento.
A AMIMF, fundada em 20/07/2024, é uma associação civil sem fins econômicos e lucrativos, com sede em Itaberaba, Bahia, na Av. Rio Branco nº 35, Centro.
A entidade tem como missão defender os direitos das mulheres urbanas e rurais.
Seu objetivo é desenvolver ações no combate à violência contra as mulheres, sejam crianças, adolescentes, jovens, adultas ou idosas, promovendo a integração social, familiar, comunitária, cultural, religiosa e profissional, com ênfase nas mulheres em situação de vulnerabilidade social.
Um ano de histórias e muitas conquistas, a Associação Maria Felipa.
A conquista desses espaços empodera as mulheres, mostrando que é possível vislumbrar um futuro com mais igualdade em âmbitos políticos, governamentais e empresariais.
Apesar dos avanços, a desigualdade de gênero e os altos índices de violência contra as mulheres demonstram que a luta por equidade ainda precisa continuar.
É preciso conscientizar sobre a existência de vieses inconscientes que reforçam estereótipos discriminatórios e que impulsionam a hierarquização entre homens e mulheres.
Quem foi Maria Felipa?
Praticamente não existem registros ou documentos históricos que atestem a existência dela e de seus feitos. Mas 200 anos depois, ela continua viva na tradição oral de Itaparica e de cidades do Recôncavo Baiano e nas comemorações da independência.
“Nasceu escrava, mas depois de liberta colocou a liberdade como maior tesouro de sua vida, moradora da Ilha de Itaparica, negra, alta, desde cedo aprendeu a trabalhar como marisqueira, pescadora, trabalhadora braçal que aprendeu na luta da capoeira a brincar e a se defender, que vestia saias rodadas, bata, torso e chinelas, foi líder de um grupo de mais de 40 mulheres e homens de classes e etnias diferentes, onde vigiava a praia dia e noite a fortificando com trincheiras para prevenir a chegada do exército inimigo, e organizava o envio de alimentos para o interior da Bahia (recôncavo), atuando na luta pela libertação da dominação portuguesa.”
Ela é retratada como uma mulher negra, marisqueira, que trabalhava na indústria baleeira, e sobretudo, uma das grandes heroínas da guerra da independência do Brasil e da Bahia, em 2 de julho de 1823, quando finalmente houve a rendição e fuga dos portugueses.
“Acima de tudo, é um ícone, um exemplo, um modelo de mulher, negra, trabalhadora e corajosa”.
Maria Felipa teria nascido na Ilha de Itaparica em data incerta e morrido em 4 de julho de 1873. Chamada na época de Arraial da Ponta das Baleias, a ilha passou depois a ter o nome atual, que, em tupi, significa “cerca de pedra”, devido aos recifes de corais que a rodeiam. Ela tem 36 km de comprimento e uma superfície de 180 km², que abrigam 36 localidades.
De acordo com o historiador Pablo Antonio Iglesias Magalhães, da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), a personagem Maria Felipa apareceu pela primeira vez em letra de forma no livro A Ilha de Itaparica: História e Tradição, escrito por Pimentel mais de um século depois da guerra.
De acordo com a tradição oral, no entanto, na guerra de independência da Bahia, Maria Felipa teria se destacado na defesa de Itaparica, quando os portugueses atacaram a ilha em 7 de janeiro de 1823.
“Maria Felipa de Oliveira era líder das ‘vedetas’, observando as praias, as matas, os caminhos e subindo em outeiros, principalmente o do Balaústre e o da Josefa, que ficavam próximos aos campos de guerra, para identificar os portugueses que desciam dos barcos para saquear”, diz a escritora em sua obra.
Mas Maria Felipa também teria entrado em combate direto, durante a batalha de 7 de janeiro.
Maria Felipa de Oliveira foi declarada, em 26 de julho de 2018, Heroína da Pátria Brasileira pela Lei Federal nº 13.697, tendo seu nome inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, que se encontra no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília.
Reportagem: Tiago Aragão
programa Voz da Comunidade.

