Relatório enviado ao STF aponta esquema de descontos indevidos que pode ter causado prejuízo de R$ 6,3 bilhões
A Polícia Federal (PF) concluiu a primeira etapa da investigação sobre o esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e indiciou 48 pessoas. Parte dos indiciados está presa desde 17 de dezembro do ano passado. Segundo o G1, o relatório sobre o caso foi encaminhado nesta terça-feira (14) ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator das investigações.
Entre os indiciados estão o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral do órgão, Vinícius de Oliveira Filho, o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca, e o presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes. O caso de Lulinha ainda está sendo investigado e não faz parte desse relatório.
O relatório produzido pela Polícia Federal foi enviado ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal. Segundo a investigação, o esquema envolvia associações e sindicatos que promoviam cobranças mensais diretamente sobre aposentadorias e pensões, sem autorização dos beneficiários.
Como funcionava o esquema
De acordo com a Polícia Federal, aposentados e pensionistas tinham valores descontados de seus benefícios como se fossem filiados a associações de aposentados. No entanto, as investigações apontam que essas pessoas não haviam aderido às entidades nem autorizado qualquer desconto.
A apuração teve início em 2023, quando a Controladoria-Geral da União (CGU) instaurou procedimentos administrativos para verificar irregularidades. Em 2024, após identificar indícios da prática de crimes, a CGU acionou a Polícia Federal, que deu prosseguimento ao inquérito.
Prejuízo pode chegar a R$ 6,3 bilhões
Segundo estimativas da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União, o prejuízo provocado pelos descontos indevidos pode alcançar R$ 6,3 bilhões, considerando todas as associações e sindicatos investigados, e não apenas a Conafer.
Fonte: Brasil247 – 14 de julho de 2026

