Adolescente invade escola com faca e mata aluno de 8 anos no Rio Grande do Sul. Ocorreram 42 ataques a escolas no Brasil entre 2002 e 2024. – rosarioitanews

Adolescente invade escola com faca e mata aluno de 8 anos no Rio Grande do Sul. Ocorreram 42 ataques a escolas no Brasil entre 2002 e 2024.

By Rosário News jul9,2025

Um adolescente, de 16 anos, invadiu, nesta terça-feira (8), a escola Maria do Nascimento Giacomazzi na cidade de Estação, no Rio Grande do Sul, e atacou alunos menores com um facão. O atentado acabou em morte de um aluno de 8 anos e deixou outras duas meninas feridas, além de uma professora. 

A brigada militar local apreendeu o suspeito. O jovem conseguiu entrar na escola após dizer que estava indo deixar um currículo, segundo informações do prefeito local, Geverson Zimmenmann (PSDB), em entrevista a uma rádio local. O adolescente não tinha nem um vínculo direto com o colégio.

A professora acabou ferida com 3 golpes de faca e as duas meninas sofreram golpes na cabeça, conforme informações do prefeito. As 3 vítimas que sobreviveram foram transferidas para municípios vizinhos para melhor tratamento dos ferimentos.

As aulas da rede municipal foram suspensas por tempo indeterminado após o ataque na escola que atende 152 estudantes do ensino fundamental. 

Em novembro de 202era lançado o relatório Ataque às escolas no Brasil: análise do fenômeno e recomendações para a ação governamental, realizado pelo Grupo de Trabalho de Especialistas em Violências nas Escolas, do Ministério da Educação. Segundo o documento, o Brasil teve, entre 2002 e o momento de sua conclusão (outubro de 2023), 36 ataques a escolas, que resultaram em 164 vítimas, sendo 49 casos fatais e 115 pessoas feridas.

Em 2024 foram 05 ataques, em 2025 só no Rio Grande do Sul, já são 02 ataques com vítimas fatais.

O ano de 2023 registrou 12 ataques em escolas e atinge patamar recorde.

Desde 2002, 49 pessoas morreram nesse tipo de ataque e muitas ficaram feridas. Dos 22 anos analisados, em 12 não houve nenhum ataque em escolas. A partir de 2019, a incidência aumenta e chega a patamares mais elevados em 2022 e 2023.

Em 2023 foram 12. As ocorrências caíram para cinco em 2024. Nessas duas décadas, São Paulo lidera os registros, com dez ocorrências. Depois vem Rio de Janeiro e Bahia, com cinco episódios cada um. 

Os ataques resultaram em 44 mortes e 113 feridos. Entre as vítimas fatais, 32 eram estudantes, seis eram profissionais da escola e outros seis foram os próprios atiradores. 

Ataques em escolas de 2023;

23 de outubro Escola Estadual Sapopemba em São Paulo (SP)

10 de outubro Escola particular Dom Bosco em Poços de Caldas (MG)

19 de junho Colégio Estadual Professora Helena Kolody em Cambé (PR)

11 de abril Escola Estadual Doutor Marcos Aurélio em Santa Tereza (GO)

10 de abril Escola Instituto Adventista de Manaus (AM)

12 de abrilEscola Municipal Isaac de Alcântara em Farias Brito (CE)

5 de abril: Creche Cantinho Bom Pastor em Blumenau (SC)

27 de março: Escola Estadual Thomazia Montoro em São Paulo (SP)

13 de fevereiro: Escola Municipal Vista Alegre e Escola Estadual Professor Antonio Sproesser em Monte Mor (SP)

De janeiro de 2001 a dezembro de 2024, ocorreram 42 ataques de violência extrema em escolas do Brasil, mostra o relatório D³e – Dados para um Debate Democrático na Educação. Desse total, 27 episódios (64,2%) foram registrados mais recentemente, entre março de 2022 e dezembro de 2024.

2022: 10 ataques
2023: 12 ataques
2024: 5 ataques

➡️O que são ataques de violência extrema em escolas? Segundo as autoras da pesquisa, Telma Vinha e Cléo Garcia (também da Unicamp), há necessariamente os seguintes elementos:

  • ataques cometidos de forma intencional por estudantes e ex-estudantes;
  • crimes de ódio e/ou movidos por vingança dentro de instituições de ensino;
  • motivações, em geral, relacionadas a ressentimentos ou originadas a partir de preconceitos e discriminações (misoginia, racismo, extremismo etc.);
  • planejamentos e uso de algum tipo de arma para matar uma ou mais pessoas.

Violência na escola e violência da escola
O pesquisador destaca que as próprias escolas já foram e continuam sendo espaços que, de diferentes formas, promovem a violência. “Quando era permitido, na geração do meu pai e na geração do seu avô, o castigo dentro das escolas era uma atitude de violência. Então, a escola é um ambiente violento que promove a violência. Ela não é um ambiente seguro, protegido. E, ao mesmo tempo, existe a violência na escola, em que a modalidade mais conhecida é o bullying, que, numa tradução simples, é a perseguição sistemática, ele acaba alimentando a mobilização de ataques”, revela o pesquisador.

Gênero
Outra revelação do mapeamento diz respeito à identidade de gênero dos autores dos ataques. Todos os atos tiveram como responsáveis homens ou meninos, o que sugere, para diretora-executiva do Sou da Paz, Carolina Ricardo, a necessidade de mobilização para desassociar a noção de masculinidade da de imposição e demonstração de força.

“A gente sabe que, claro, a arma, sozinha, não é um grande motivador, mas é um catalisador e, em alguns casos, a gente identificou também que o agressor buscou, tentou adquirir a arma. Nesse caso dos ataques, ela é muito mais letal, gera muito mais mortes, é um artefato de interesse dos agressores, porque, justamente, aumenta o potencial letal e torna esses agressores mais poderosos, se é que assim dá pra se dizer”, diz.

“A arma, na mão de um civil, muito mais do que garantir uma legítima defesa, acaba sendo usada para fins equivocados, errados”, complementa.

Ainda sobre o perfil dos autores dos atentados, 88% foram cometidos por apenas uma pessoa, com média de idade de 16 anos, que era aluno ou ex-aluno da escola alvo do ataque.

Além disso, ao concebê-los, os agressores colocam no centro, como alvos, pessoas com quem têm algum vínculo, como alunos (59%).

Recomendações
Além de analisar os dados e aprofundar o conhecimento sobre as motivações por trás dos ataques às escolas, o relatório também aponta recomendações para o combate do governo em relação a esse fenômeno. “No âmbito da escola, a principal estratégia de prevenção é trabalhar com um clima escolar e gestão democrática para que os conflitos sejam resolvidos de forma pacífica. É sempre bom lembrar que paz não abdica de conflito, conflito é inerente para uma paz verdadeira, a questão é como se resolve conflito. Então, nesse sentido, no âmbito da escola, é preciso gestão democrática”, explica o professor.

Na esfera do Estado, o relatório aponta a regulação das redes, o controle das armas de fogo e a promoção de uma legislação que combata o extremismo, o bullying e promova um ambiente pacífico nas escolas. Daniel Cara pontua o papel fundamental da família: “Não é aceitável que uma criança e um adolescente sejam expostos a conteúdo de ódio ou comecem a produzir esse material, por isso a família também tem que intervir”.

Ele também destaca dois pontos quanto a função da sociedade nesse cenário. De acordo com o professor, é importante que a imprensa trate com responsabilidade a cobertura dos ataques. Além disso, existe a necessidade do combate e do repúdio ao comportamento extremista e aos discursos de ódio.

Acolhimento e reparação
Outro ponto importante, levantado por Daniel Cara, é a necessidade da criação de políticas públicas para a reparação no caso da ocorrência de ataques. “É preciso reparar a dor que foi criada pelo ataque, é preciso acolher as pessoas. E não basta acolher só a família, a turma, é preciso acolher toda a comunidade escolar, porque toda ela é acometida por um ataque. Quando se ataca uma escola, toda a sociedade é atacada, e por isso é fundamental que a gente tenha a compreensão no Brasil de que esse fenômeno precisa ser encerrado”, destaca.

A recorrência desses ataques e a gravidade dos crimes cometidos levantam a urgência desse cenário e, para o professor, “o Brasil não está no paradigma se vai acontecer um novo ataque, está no paradigma de quando vai acontecer. E, por isso, é preciso realizar todos os esforços possíveis e urgentes para evitar essa ferida, que é algo que desestrutura, com razão, toda a sociedade brasileira”.

Pesquisa: Tiago Aragão.
Fonte: jornal da USP, CNN, G1 e Agência Brasil.

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