Todes’: saiba o que é a linguagem neutra usada por pessoas. – rosarioitanews

Todes’: saiba o que é a linguagem neutra usada por pessoas.

By Rosário News jul5,2025

Em algumas falas percebemos que algumas pessoas usam o termo “todes”, da linguagem não binária, também denominada linguagem neutra.

Na posse do então ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, (atual ministro da saúde) foi um deles. Começou seu discurso com a frase: “Boa tarde a todas, a todos e a todes”.

Assim como “todes”, “menine” e “amigues” são exemplos dessa linguagem cada vez mais comum nas redes sociais e entre membros da comunidade LGBTQIA+. A fala representa também um fenômeno político e de inclusão.

O objetivo em substituir o artigo masculino genérico pelo “e” é neutralizar o gênero gramatical a fim de que as pessoas não binárias (que não se identificam nem com o gênero masculino nem com o feminino) ou intersexo se sintam representadas.

Mas o que é o gênero neutro?

  • É a substituição dos artigos feminino e masculino por um “x”, “e” ou até pela “@” em alguns casos.
  • Assim, “amigo” ou “amiga” viram “amigue” ou “amigx”. As palavras “todos” ou “todas” são trocadas, da mesma forma, por “todes”, “todxs” ou “tod@s”.
  • A mudança, como é popular principalmente na internet, ainda não tem um modelo definido.

“Elu”
Os defensores do gênero neutro também preferem a adoção do pronome “elu” para se referir a qualquer pessoa, independentemente do gênero, de maneira que abranja pessoas não binárias ou intersexo que não se identifiquem como homem ou mulher.

Nas Olimpíadas de Tóquio, a narradora Natália Lara e o comentarista Conrado Santana, do SporTV, jogaram luz sobre o tema durante uma partida de futebol entre as seleções femininas do Japão e Canadá. Os profissionais utilizaram o pronome “elu” para se referir a Quinn, atleta canadense que se identifica como pessoa trans não binária.

Além dos pronomes
Para Jonathan Moura, professor de língua portuguesa na Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e doutor em linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a neutralidade de gênero na língua é abrangente e vai além de questões relacionadas a pronomes.

Norma padrão
Na norma padrão da língua portuguesa, ao englobar os dois gêneros (masculino e feminino), a palavra fica no masculino plural. Por exemplo, se um grupo de pessoas é composto por homens e mulheres, mesmo que majoritariamente feminino, deve-se referir às pessoas do grupo como “eles” ou “todos”.

Por isso, vestibulares ou concursos públicos que exigem o uso da norma culta da língua não aceitam a linguagem neutra.

Pronome neutro no português?
Atualmente, no português, o masculino também cumpre função de plural. No entanto, nem sempre foi assim. No latim, havia um pronome neutro, além do feminino e do masculino.

“Isso mudou quando o latim virou o português arcaico. Decidiu-se pela abolição do neutro e adoção do masculino para o plural”, explica Moura.

Para o especialista, não é impossível que a linguagem neutra passe a integrar oficialmente o idioma no futuro, mas ressalva que tudo dependerá de haver adesão pública.

Há necessidade de usar, “todos, todas e todes” na mesma frase?

A questão do uso de “todos”, “todas” e “todes” no português é complexa e envolve tanto a norma culta quanto a linguagem inclusiva. Na norma padrão, o masculino “todos” é usado para grupos mistos (homens e mulheres), enquanto “todas” é usado especificamente para grupos femininos. O termo “todes” é uma criação da linguagem neutra, buscando incluir pessoas não binárias, mas não é reconhecido pela norma culta.

O uso de “todos” para grupos mistos é o padrão, e o uso de “todos e todas” pode ser considerado redundante, embora não esteja incorreto.

A escolha entre “todos”, “todas” e “todes” depende do contexto e da intenção do falante. Em contextos formais, o uso de “todos” ou “todos e todas” é o padrão, enquanto em contextos mais inclusivos, o uso de “todes” pode ser uma escolha para representar pessoas não binárias. É importante considerar o público-alvo e o nível de formalidade da comunicação ao decidir qual termo utilizar.

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