Covid-19: quase 17 mil pessoas morreram em seis países por uso de cloroquina, diz estudo francês – rosarioitanews

Covid-19: quase 17 mil pessoas morreram em seis países por uso de cloroquina, diz estudo francês

By Rosário FM jan5,2024

Estudo foi feito na França, Estados Unidos, Bélgica, Itália, Espanha e Turquia e não incluiu o Brasil e a Índia, que prescreveram a droga em larga escala durante a pandemia
Há quase 4 anos, o médico microbiologista francês e professor de doenças infecciosas na Universidade de Aix Marselha, Didier Raoult, afirmava ter derrotado a Covid-19 graças a uma molécula utilizada no tratamento da malária, a cloroquina.
Mas de acordo com um estudo publicado na França, o uso do plaquenil, a versão não comercial da cloroquina, não só não salvou vidas, como também matou quase 17.000 pessoas em seis países: França, Estados Unidos, Bélgica, Itália, Espanha e Turquia.
Os pesquisadores analisaram durante a primeira onda da pandemia de Covid-19, entre março e julho de 2020, o aumento da mortalidade em pacientes tratados com a cloroquina, usando três dados: o número de pacientes de Covid hospitalizados, sua taxa de mortalidade e a taxa de prescrição do medicamento.
A principal lição do estudo, de acordo com o pesquisador, é que parte da comunidade médica tirou conclusões precipitadas.
“Porque as prescrições (de cloroquina) foram bem executadas por nós mesmos, médicos”, lamenta. Em alguns centros hospitalares, as prescrições do remédio eram feitas em 16% dos casos da Covid-19. Em outros, as prescrições chegavam até a 90% dos casos, mostra o estudo.
“Acho que é de fato uma mensagem importante a de não extrapolar resultados de estudos preliminares ou modelos celulares em grande escala, durante uma crise de saúde”, diz.
“É preciso manter a razão. Pedir cautela e urgência não é prescrever. Na verdade, a urgência é a realização de estudos com um nível de evidência muito elevado que permitam a implementação de estratégias eficazes e seguras no contexto de uma crise sanitária”, insiste.
Líderes políticos defenderam uso
O caso do Brasil é provavelmente o mais emblemático, com o ex-presidente Jair Bolsonaro como defensor e até usuário do remédio.
“Na minha opinião, quando se é depositário de uma autoridade, de um mandato (…) devemos ser cuidadosos e permanecer o mais próximo dos resultados, mais uma vez, sem extrapolação, sem intuição”, diz o pesquisador.

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