Seis meses depois do início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, a guerra se transformou em um conflito prolongado, caro e politicamente impopular para o presidente norte-americano, Donald Trump. O confronto, inicialmente apresentado pelo republicano como uma “pequena excursão”, não produziu uma solução definitiva e passou a representar um crescente problema militar, econômico e eleitoral para a Casa Branca. Quando declarou a guerra Trump disparou: “O país inteiro pode ser eliminado em uma noite, e essa noite pode ser amanhã”.
A guerra provocou danos expressivos à capacidade militar iraniana, mas não conseguiu desestabilizar o governo de Teerã nem eliminar sua capacidade de atingir forças, instalações e interesses dos Estados Unidos e de seus aliados no Oriente Médio.
Ao mesmo tempo, o prolongamento do conflito cobra um preço cada vez maior de Washington. Militares norte-americanos morreram, equipamentos foram perdidos, estoques de munições de alta precisão foram consumidos e navios e aeronaves estão submetidos a operações prolongadas.
Politicamente, o impacto também é significativo. A aprovação de Trump caiu de 40% para 33% desde o início da guerra, enquanto apenas 31% dos norte-americanos manifestam apoio ao conflito, segundo pesquisas. O desgaste ocorre em um momento politicamente delicado, com as eleições de novembro se aproximando e os republicanos enfrentando divisões internas sobre a política externa do governo.
O Irã sofreu perdas importantes, incluindo a destruição de embarcações e sistemas de defesa. Instalações relacionadas ao programa nuclear também foram atingidas. As operações contra instalações de enriquecimento de urânio também atrasaram o programa nuclear iraniano.
Ainda assim, Teerã preservou estoques e capacidade operacional de drones e mísseis, além de meios para ameaçar embarcações e instalações militares na região.
Se o objetivo inicial era demonstrar força, enfraquecer decisivamente o Irã e obter uma vitória rápida, seis meses de guerra produziram um quadro muito mais complexo.
O problema agora também é eleitoral. Trump chegou ao poder apresentando-se como crítico das intervenções militares prolongadas dos Estados Unidos. Seis meses depois, encontra-se à frente justamente de uma guerra sem horizonte claro para terminar.
O conflito que começou como uma operação que Trump chamou de “pequena excursão” tornou-se, assim, um teste cada vez mais difícil para sua presidência — e um potencial atoleiro militar e político às vésperas das eleições de novembro.
Da Redação – Reportagem completa em Brasil247
Crédito: Dado Ruvic/Reuters

