Explosão em 1976 marcou a resistência contra a censura da ditadura militar no Brasil.
Em 19 de agosto de 1976, uma explosão no prédio sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), situado no centro do Rio de Janeiro, enviou uma mensagem clara contra a liberdade de expressão em um período de intensa resistência à censura exercida pela ditadura militar brasileira.
Ao completar 50 anos do episódio, nesta quarta-feira (19), a ABI relembra o atentado terrorista e ressalta a importância da liberdade de imprensa para a valorização e a manutenção dos meios democráticos.
De acordo com relatos da época, o impacto da explosão destruiu dois banheiros localizados próximos à sala da presidência da entidade, afetando também as estruturas do elevador e os andares vizinhos.
O grupo paramilitar de extrema-direita Aliança Anticomunista Brasileira (AAB), assumiu a autoria do atentado à sede da ABI por meio da distribuição de um panfleto. No manifesto, os extremistas alegavam que a entidade estava “totalmente dominada pelos comunistas” e que a bomba servia como uma “primeira advertência”.
A ação contra a ABI não foi um caso isolado, mas parte de um contexto estrutural de violência e intimidação política voltado a conter qualquer avanço das liberdades democráticas.
Dezenas de outros atentados foram registrados durante o governo de Ernesto Geisel, período classificado pelo próprio general como uma abertura “lenta, gradual e segura”. Apenas entre os meses de agosto e novembro de 1976, ocorreram nove atentados terroristas no Rio de Janeiro, sendo oito deles reivindicados pela AAB.
Apesar da sucessão de atos terroristas praticados contra entidades civis e da existência de um amplo aparato de inteligência e repressão no país, os autores dos atentados nunca foram identificados ou responsabilizados.
Reportagem completa em Brasil247 – Crédito: Divulgação/Arquivo ABI

