O risco de formação de um super El Niño em 2026 levou pesquisadores brasileiros a reforçarem o alerta sobre a necessidade de preparar o país para uma nova rodada de eventos climáticos extremos.
Segundo especialistas ligados ao Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), a combinação entre o fenômeno natural e o aquecimento global pode aumentar a intensidade de chuvas torrenciais, ondas de calor, estiagens prolongadas e processos de erosão costeira, afetando diferentes regiões do Brasil.
Os cientistas destacam que o maior desafio está nas áreas costeiras, onde vivem milhões de brasileiros em regiões sujeitas a alagamentos, deslizamentos de terra e ressacas. Além da elevada concentração populacional, essas localidades perderam parte de suas defesas naturais ao longo das últimas décadas, tornando-se mais vulneráveis aos efeitos da elevação do nível do mar e de tempestades mais intensas.
“O El Niño não representa apenas uma mudança na temperatura do Oceano Pacífico. Em um planeta já aquecido, ele amplia a frequência, a intensidade e a duração de ondas de calor, secas e chuvas extremas”, afirma.
A situação preocupa especialmente em áreas urbanizadas, onde a ocupação intensa reduziu a capacidade natural de absorver os impactos provocados por tempestades e ressacas.
Caso o El Niño se consolide, seus efeitos não deverão ser sentidos da mesma forma em todo o país. Os pesquisadores lembram que episódios anteriores do fenômeno provocaram aumento das chuvas no Sul e em parte do Sudeste, favorecendo enchentes, deslizamentos e alagamentos.
Já na Amazônia, o comportamento costuma ser oposto. A redução das chuvas favorece secas severas, diminuição do nível dos rios, dificuldades para transporte fluvial, problemas no abastecimento de água e isolamento de comunidades ribeirinhas.
Segundo dados, o relatório mais recente da Organização Meteorológica Mundial (OMM) aponta cerca de 80% de probabilidade de desenvolvimento do El Niño entre julho e agosto de 2026, com chances superiores a 90% de permanência até novembro.
Para reduzir os impactos, os pesquisadores defendem uma estratégia baseada tanto em obras de infraestrutura quanto na recuperação dos próprios ecossistemas naturais. Entre as prioridades estão o fortalecimento dos sistemas de monitoramento meteorológico e oceanográfico, a atualização dos planos de contingência da Defesa Civil, o mapeamento das áreas de maior risco e investimentos em drenagem urbana.
Os pesquisadores também defendem ampliar o monitoramento do litoral brasileiro. Atualmente, o país ainda possui lacunas na coleta contínua de informações sobre nível do mar, ondas, marés e transporte de sedimentos, dados considerados essenciais para prever impactos e orientar políticas públicas.
Reportagem completa em CNN Brasil – 25/07/26
Da Redação

