Uma criança de dois meses teve um dos pés amputado ontem em Salvador após dar entrada em um hospital do interior para tratar um quadro de bronquiolite e contrair uma infecção. A família acusa a unidade de saúde de negligência médica.
Heitor Gustavo dos Santos foi internado na UTI quando ainda tinha um mês de vida. Em 15 de maio, ele deu entrada no Hospital Materno-Infantil Dr. Joaquim Sampaio, em Ilhéus, após sentir sintomas de uma suposta gripe —diagnosticada como bronquiolite aguda.
Devido à gravidade do quadro, um acesso intravenoso foi colocado no pé direito de Heitor para medicá-lo, o que teria sido a origem do ferimento. À reportagem, a mãe Sara Ribeiro contou que houve vazamento de medicamento por ter sido ”mal colocado” no pé do filho. ”Quando foi no dia 17 pela manhã, vi o pé dele todo roxo e inchado e a maca toda molhada”, relembra.
O prontuário médico, confirmou que o remédio extravasou. ”Criança com lesão em pé direito decorrente de extravasamento de acesso periférico causando ferida com tecido desvitalizado com área de necrose na região do calcanhar”, escreveu a equipe.
Hospital pediu transferência do paciente para capital, mas Sara diz que o processo de autorização foi demorado. Os pais da criança, então, decidiram entrar com pedido na Justiça, que determinou que a Secretaria da Saúde da Bahia transferisse o bebê, no dia 8 de junho, para o Hospital Geral do Estado, em Salvador.
Já na capital, médicos sugeriram a amputação. De acordo com a família, os profissionais de saúde informaram que o procedimento cirúrgico para tentar reconstruir o pé do bebê envolveria a retirada de músculo da região torácica para enxerto, com alto risco de rejeição e complicações que poderiam ameaçar a vida de Heitor.
MP investiga o caso
O Ministério Público da Bahia investiga se houve erros durante os procedimentos médicos. O órgão já recebeu os prontuários do Hospital Geral em Salvador e do Materno Infantil em Ilhéus. ”A partir daí, teremos condições de realizar uma perícia indireta através desses prontuários e termos uma definição sobre o que de fato aconteceu com o Heitor. Adotaremos providências penais a depender do que for apontado”, falou hoje o promotor Pedro Nogueira Coelho ao Bahia Meio Dia.
O que diz a Secretaria de Saúde
A pasta informou que abriu uma sindicância para investigar as condutas no Hospital Materno-Infantil Dr. Joaquim Sampaio. Em nota, afirmou que o bebê recebeu assistência ”integral, ininterrupta e humanizada, conduzida por equipes multiprofissionais, conforme os protocolos clínicos estabelecidos.

