Bolsonaro chama apoiadores que pediam o AI-5 de “malucos” e nega ter incentivado atos do 8/1. – rosarioitanews

Bolsonaro chama apoiadores que pediam o AI-5 de “malucos” e nega ter incentivado atos do 8/1.

By Rosário News jun10,2025

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) negou ter apoiado o ato de 8 de janeiro de 2023 no ato antidemocrático. Segundo ele, entre aquelas pessoas, existiam “malucos” que estavam pedindo por um novo AI-5. As declarações foram feitas ao Supremo Tribunal Federal, em depoimento à Primeira Turma.

Ele é o sexto a ser ouvido pelo relator, Alexandre de Moraes, e demais membros da primeira turma da corte, sendo um dos oito acusados de integrarem o “núcleo crucial” da tentativa de golpe de Estado tentado em 2022.

“Tem os malucos que ficam com essa ideia de AI-5, de intervenção militar das Forças Armadas… que os chefes das Forças Armadas jamais iam embarcar nessa só porque o pessoal estava pedindo ali”, afirmou Bolsonaro.

Em outro momento do depoimento, ele respondeu ao Procurador-Geral da República que repudiava qualquer ato antidemocrático.

“Nós repudiamos tudo isso aí. Com todo respeito, doutor Paulo Gonet, não procede que colaborei com o 8 de janeiro. Não tem nada meu ali, estimulando aquela baderna que nós repudiamos”, disse o ex-presidente.

O AI-5 (Ato Institucional nº 5) foi o decreto promulgado em 1968 durante a ditadura militar no Brasil.

O ex-presidente Jair Bolsonaro negou nesta terça-feira (10), em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), ter participado de qualquer tentativa de golpe de Estado ou de plano para prender autoridades. Ele admitiu, no entanto, que discutiu com auxiliares e comandantes militares alternativas “dentro da Constituição” para tentar reverter o resultado das eleições de 2022, vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva.

Durante o interrogatório na tarde desta terça-feira (10), o ex-presidente Jair Bolsonaro pediu desculpas ao ministro Alexandre de Moraes por declarações feitas no passado nas quais insinuava, sem provas, que integrantes do Supremo Tribunal Federal estariam envolvidos em corrupção durante as eleições.

A fala ocorreu após Moraes questionar diretamente Bolsonaro sobre uma reunião com embaixadores, na qual ele havia sugerido que ministros da Corte poderiam estar recebendo propina. “Quais eram os indícios que o senhor tinha de que nós estaríamos levando US$ 50 milhões, US$ 30 milhões?”, perguntou o ministro.

Bolsonaro é um dos oito réus do chamado “núcleo crucial” da trama golpista, segundo a Procuradoria-Geral da República. O julgamento segue nesta semana no Supremo com os demais depoimentos.

Bolsonaro quis transparecer pacato e humilde, bem diferente de quando era presidente.

Ontem o depoimento de Mauro Cid.

O ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), o delator Mauro Cid, confirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-presidente discutiu e revisou minutas de documentos para decretar Estado de Sítio ou Estado de Defesa no país, no final de 2022, com objetivo de impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Cid foi o primeiro interrogado, por ter fechado um acordo de delação premiada – colaboração com as autoridades em troca de uma condenação menor.

Cid confirmou que uma dessas minutas previa a prisão do próprio Moraes e outras autoridades, como ministros do STF e o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD).

Segundo Cid, essa minuta foi “enxugada” a pedido de Bolsonaro para reduzir as autoridades que seriam presas.

Já em outro momento, Cid foi questionado pelo advogado de Bolsonaro, Celso Vilardi, sobre uma reunião com os chamados kids pretos, um grupo de operações especiais do Exército. A pergunta era se, neste encontro, teria sido falado algo sobre Moraes.

“O senhor tem que falar a verdade. Esse ministro está acostumado”, brincou Moraes.

O delator disse que o encontro era informal e não tratou de uma ação concreta contra o ministro, mas que o grupo fez críticas a Moraes.

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