Almirante nega ter visto minuta do golpe, mas admite reunião com Bolsonaro. – rosarioitanews

Almirante nega ter visto minuta do golpe, mas admite reunião com Bolsonaro.

By Rosário News jun10,2025

CO almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, disse hoje ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes não ter visto documento sobre a tentativa de golpe de Estado e negou ter colocado tropas à disposição de Jair Bolsonaro.

Reunião com Bolsonaro. Ao ser questionado por Moraes sobre reuniões que fazia com o ex-presidente, Garnier admitiu um encontro no dia 14 de dezembro que se encerrou rapidamente. “Nesses períodos finais, nos reunimos mais vezes. Isso era quase rotineiro. Assuntos diversos eram tratados nessas reuniões.”

Cúpula militar presente. Na reunião de 14 de dezembro, estavam presentes, além de Garnier e Bolsonaro, o então ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira e os comandantes do Exército, Freire Gomes, e da Aeronáutica, Baptista Jr.

Garnier disse que “não houve apresentação de documento durante a reunião”. “O senhor me perguntou se houve apresentação [durante a reunião com ex-presidente], eu não lembro de ter sido apresentado nenhum documento. Senhor ministro, essa reunião, ela foi, para dizer o mínimo, estranha. Estranha porque ela meio que se encerrou antes.”

Ex-comandante da Marinha disse que houve algum “desentendimento” antes de sua chegada à reunião. Segundo Garnier, quando chegou ao encontro do dia 14 de dezembro, ele percebeu que tinha havido algum tipo de desentendimento ou “alguma discussão anterior tinha acontecido”. “O ministro não abriu nenhuma pauta adicional. Parecia estar chateado com o desenrolar da conversa e a reunião foi encerrada”, disse ele.

Documento golpista. Moraes leu, na sequência, um trecho com depoimento do brigadeiro Baptista Júnior sobre a reunião e a possível existência de um documento golpista. O ex-comandante da Marinha relatou a Moraes que o general Paulo Sérgio apresentou um documento no dia 14 para que fosse analisado pelos presentes. “E eu confesso ao senhor que não me lembro se ele falou que era um estado de defesa ou um estado de sítio”, disse Baptista Júnior no depoimento lido por Moraes.

Garnier disse não se lembrar do depoimento lido por Moraes. “Não me lembro desse trecho. Eu me lembro que as pessoas estavam com aquela cara de que comemos e não gostamos. Alguma coisa me lembro. É, já tinha acontecido, mas eu não vi documento, não foi apresentado documento, eu não vi o general, eu não vi o Brigadeiro Batista Júnior dizer isso.”

PGR diz que Garnier ofereceu tropas a Bolsonaro.

Garnier foi chefe da Marinha entre abril de 2021 e dezembro de 2022. Segundo a denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República), ele teria aderido à proposta golpista e dito a Bolsonaro que sua tropa estava à disposição do ex-presidente.

Garnier negou ter colocado tropas à disposição. Questionado por Moraes se ele colocaria tropas à disposição a pedido de Bolsonaro, ex-comandante disse que nunca tinha colocado o efetivo da Marinha com essa intenção. Ele também afirmou “ter se desligado completamente” após ter pedido sua exoneração a Bolsonaro.

Almirante passou a ser enaltecido pelos golpistas. De acordo com a PGR, os membros da organização criminosa dirigiam ofensas ao general Freire Gomes, ex-comandante do Exército, e ao tenente-brigadeiro Baptista Júnior, ex-comandante da Aeronáutica, que foram contra a ruptura institucional. Já o chefe da Marinha foi tratado como “patriota”. Garnier disse não saber por que tinha sido elogiado, mas citou que Baptista Júnior estava sendo acusado de “estar fechado em mordomias e vantagens antes de o governo terminar”.

Os réus são interrogados pelo ministro relator, Alexandre de Moraes. Depois, é a vez do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em seguida, as defesas dos outros réus podem questionar os depoentes.

Garnier foi o terceiro interrogado.
Ontem, Moraes interrogou Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, e o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-chefe da Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

Bolsonaro é o sexto da lista. A expectativa é que isso ocorra na quarta, mas há possibilidade, dado o ritmo do interrogatório de Ramagem, que o ex-presidente seja interrogado ainda hoje. Ele acompanhou as oitivas de Cid e do ex-chefe da Abin ontem.

Apenas Braga Netto vai ser ouvido de forma virtual. Ele está preso no Rio de Janeiro e vai acompanhar o processo por meio de videoconferência, e será o último a falar.

Related Post

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *