Não dá pra analisar o ato na Paulista de forma isolada. Foi um ato que tem origem no dia 8 de janeiro e que por sua vez tem origem no resultado das eleições de 2022, resultado que não foi aceito pelo grupo perdedor que tentou uma virada de mesa, um golpe de estado. Fatos esses que estão sob investigação da PF, com vários inquéritos no STF e com mais de 100 pessoas presas. É nesse contexto que deve ser analisado o ato na Paulista do domingo 25 de fevereiro. Portanto, não dá pra cravar que tenha sido um ato democrático. Foi democrático no sentido de que as pessoas tem todo o direito de se manifestar mas se considerarmos o contexto relatado acima, foi um ato que contesta um resultado democrático ocorrido nas urnas em 2022.
Chama atenção a participação de agentes públicos, sobretudo governadores (4) e prefeitos nesse ato, já que sua participação configura a não aceitação do resultado eleitoral e o apoio a todos os atos que se seguiram, sobretudo a depredação de prédios públicos do dia 8 de janeiro de 2023. Eles tem compromisso com a constituição. Em seguida ao ato o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente fez uma postagem atacando o sistema eleitoral e as urnas eletrônicas. O Deputado colocou em dúvida a contagem de votos nas eleições que elegeram o presidente Lula. Acho que ficou frustrado com o número de presentes ao ato que ficou abaixo da expectativa bolsonarista.
Já tem denúncia de uso do dinheiro público na organização do ato. “É escandaloso o uso de recursos públicos para participar de ato golpista que incita ataques contra uma investigação da PF [Polícia Federal] e do STF [Supremo Tribunal Federal]” disse a deputada Sâmia Bonfim que entrou com ação no MP.
Coisas que chamaram atenção nesse ato: pessoas portanto bandeiras de Israel dizendo que faziam isso porque são cristãos assim como Israel… Desconhecem que os judeus praticam a religião judaica para quem Jesus é apenas mais um profeta. Talvez também essas pessoas não saibam que o procedimento do aborto é oferecido em Israel e é menos controverso do que em outros países desenvolvidos, como os Estados Unidos. Em Israel as mulheres tem acesso à pílula do dia seguinte pelo sistema de saúde pública do país. Talvez essas pessoas desconheçam também que novas leis israelenses descriminalizaram a posse de cannabis e plantas similares. De acordo com a nova legislação, o cultivo caseiro de maconha não é mais punível por lei, e o porte de pequenas quantidades de cannabis em público sem autorização médica será punido com multas, em vez de processos criminais. Segundo o Ministério da Saúde de Israel, mais de 550 fazendas já enviaram pedidos de licença para cultivar cannabis medicinal.
ATO NA PAULISTA

