Esse é o tipo de assunto que requer tempo e paciência para que tudo venha à tona, se é que é possível tudo vir á tona.
Apurações da Polícia Federal apontam que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) pode ter sido “instrumentalizada” para monitorar ilegalmente uma série de autoridades e pessoas envolvidas em investigações, além de desafetos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O uso indevido da Abin teria ocorrido quando o órgão era chefiado por Alexandre Ramagem (PL-RJ), aliado de Bolsonaro que, atualmente, é deputado federal. Ramagem foi alvo de uma operação da PF na quinta feira, 25 de janeiro. O crime, segundo as investigações, envolvia o uso do software “First Mile”, ferramenta de geolocalização que permite identificar as movimentações de pessoas por meio dos celulares delas. A investigação da PF apontou que o software israelense “First Mile”, comprado pelo governo, usava de GPS para monitorar irregularmente a localização de celulares de servidores públicos, políticos, policiais, advogados, jornalistas e até mesmo juízes. O programa foi comprado no fim do governo Temer, a poucos dias da posse de Jair Bolsonaro, e usado até parte do terceiro ano do seu mandato.
Ao todo, a PF cumpriu 21 mandados de busca e apreensão em endereços suspeitos em Brasília, Juiz de Fora, São João del Rei, e Rio de janeiro.
Agentes apreenderam quatro computadores, seis celulares e 20 pendrives em endereços do deputado.
Conforme as investigações, também foram localizadas anotações que indicam que servidores da Abin tentaram associar deputados federais e ministros do STF a uma facção criminosa de São Paulo, com o intuito de desmoralizá-los. Cerca de mil e quinhentos números de telefones foram alvo de espionagem, segundo dados obtidos pela investigação da PF.
A Polícia Federal afirmou ao ministro Alexandre de Moraes do STF, que integrantes da atual cúpula da Abin, nomeados para os cargos pelo presidente Lula, adotaram postura que interferiu e até prejudicou as investigações sobre o monitoramento ilegal feito pelo órgão.
Diante disso o delegado da Polícia Federal (PF) Carlos Afonso Gonçalves Gomes Coelho foi dispensado de suas funções. Na época em que Alexandre Ramagem era diretor-geral da Agência, Carlos ocupava o cargo de secretário de Planejamento e Gestão.
O hoje deputado Alexandre Ramagem disse, em entrevista que nunca teve acesso às senhas de sistemas de monitoramento First Mile para espionar autoridades públicas e cidadãos comuns. “Nós da direção da Polícia Federal, policiais federais que estavam comigo, nunca tivemos a utilização, execução, gestão ou senha desses sistemas”, pontuou Ramagem.
O deputado federal Tarcísio Motta (PSOL-RJ) afirma que esta operação da Polícia Federal expõe o que chama de “puro suco do bolsonarismo”, envolvendo um personagem completamente coerente com essa lógica do uso do Estado para fins políticos”, afirma Tarcísio Motta.
ESPIONAGEM ILEGAL DA ABIN

