Num artigo do site Brasil247, o colunista Aquiles Lins aponta que os três principais jornais da mídia corporativa brasileira condenaram a decisão do presidente Lula de apoiar a denúncia apresentada pela África do Sul contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça (CIJ). O país africano acusa Israel de praticar um genocídio contra o povo palestino na Faixa de Gaza e pede ao tribunal que indique “medidas provisórias” para proteger os direitos dos palestinos “de perdas iminentes e irreparáveis”.
O jornal O Estado de S. Paulo disse que Lula “quer posar de estadista e de humanista”, já O Globo foi mais longe. Disse em editorial que a decisão do presidente de cobrar ações internacionais contra o que ocorre na Faixa de Gaza foi uma “agressão injusta” contra Israel enquanto a Folha de S. Paulo também se manifestou contra a decisão brasileira, defendendo que Lula peça o afastamento do premiê Benjamin Netanyahu e deixe de lado o que chamou de “parcialidade” e “termos e instrumentos impróprios” para lidar com o problema.
Como a história recente já mostrou não importa o que Lula faça, que decisão tome, ele será sempre combatido por esses três baluartes da mídia corporativa brasileira. Se estiver calado, Lula apanha. Se falar, apanha. Será que se trata de puro antipetismo ou, em outras palavras, de luta de classe em defesa dos interesses das classes dominantes.
O mundo está assistindo impassível ao primeiro genocídio transmitido em tempo real pela internet. Depois de três meses dos ataques do grupo Hamas contra civis israelenses e estrangeiros, que mataram cerca de 1.400 pessoas, Israel já assassinou mais de 23 mil palestinos. Pior, 70% das vítimas são mulheres e crianças. Há outras 7 mil pessoas desaparecidas. Mais de 80% da população de 2,3 milhões de pessoas de Gaza foi objeto de transferência forçada. Quem não morreu de bombas ou sob escombros, está morrendo de fome, frio e doenças. Em seis anos, não restará nenhum palestino vivo em Gaza a seguir esta matança indiscriminada.
Um mínimo de senso ético e de humanidade desses veículos, diante dos crimes que todos nós estamos assistindo, deveria evitar qualquer proselitismo político contra o PT à custa das mortes de mulheres, de crianças, de homens, enfim, de um povo que está sendo exterminado.
QUEM TEM RAZÃO SOBRE GAZA: LULA OU A MÍDIA CORPORATIVA?

