IA e ChatGPT – rosarioitanews

IA e ChatGPT

IA e ChatGPT
Li dois artigos sobre esse assunto no outraspalavras.net (site que recomendo). Um artigo é o relato do jornalista Rafael Cardoso Sampaio sobre sua participação na Semana de Inovação realizada em dezembro de 2023 na Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) e o outro é uma entrevista com o filósofo e linguista Noam Chomsky. Não entendi praticamente nada do assunto, mas como deu pra perceber que se trata de algo importante coloco aqui um resumo dessas duas matérias. O jornalista Rafael diz que a palavra ChatGPT era a mais ouvida durante a Semana de Inovação. Já Chomsky afirma que “este é o ataque mais radical ao pensamento crítico, à inteligência crítica e particularmente à ciência que eu jamais vi”.
O fato é que essa tecnologia está sendo usada em várias instituições mostrando resultados bem sucedidos. Na semana de inovação instituições como a AGU e o TCU foram destacadas como exemplos desse sucesso. Coloco aqui o questionamento do jornalista feito a alguns participantes da semana: “e se o GPT em 10 anos for o Teams das IAs? Como sair?”. Este é o ponto. Não sai. No momento, é impossível você sair de um modelo para outro e mesmo que seja factível no futuro, certamente haverá grande perda. Todos os anos de treinamento podem se perder. Sei bem disso, porque sou professor da UFPR e aqui entregamos nossos dados e emails para a Microsoft. Então, sou um usuário do Onedrive, Outlook, Office e, claro, Microsoft Teams. Não que eu tenha algo contra esses produtos, mas vejo soluções melhores em outros lugares. E posso tranquilamente dizer que não consigo imaginar a UFPR conseguindo sair da Microsoft sem um investimento gigantesco ou ajuda do governo federal (ou ambos).”
No final coloco as recomendações do jornalista.
A entrevista com Noam Chomsky foi publicada em maio de 2023. Já no início ele dispara: “A ideia de que podemos aprender alguma coisa com este tipo de IA é um erro”.
Questionado sobre o que fazer com esta mudança tecnológica, que aconteceu de forma tão brusca, Chomsky destaca o papel da educação. “É impossível travar os sistemas. A única maneira [de controlar a evolução tecnológica] é educar as pessoas para a autodefesa. Levar as pessoas a compreenderem o que isto é e o que não é.” Ele atribui um significado político a ferramentas como o ChatGPT: “É basicamente como qualquer outra ideologia ou doutrina”. Ele diz que o ChatGPT é um exercício inteligente de simulação. “Percorre quantidades astronômicas de dados, por meio de programas inteligentes, para produzir resultados semelhantes à informação que encontra. Não diz nada sobre linguagem, aprendizagem, inteligência. E isso é muito fácil de provar.”
Como então os especialistas deveriam tratar as questões relacionadas com a IA?
“A única maneira de ajudar é educar as pessoas para a autodefesa. Podemos levar as pessoas a compreender o que IA é e o que não é. Acabar com a euforia e olhar para a realidade como ela é. É basicamente como qualquer outra ideologia ou doutrina. Como é que se defende alguém contra a doutrina neofascista? Educando as pessoas. Não há maneira de a impedir, não vai acabar nem desaparecer. Pode-se educar a população para compreender como realmente são as coisas.” Sobre o poder das empresas ele afirma: “As grandes empresas que estão por trás dessas tecnologias, como o Google e a Meta, terão mais poder político por uma razão muito simples: dinheiro, capital. Podem comprar congressistas, podem comprar senadores, podem comprar eleições. Chama-se a isso poder. Não é nada de novo.”
O jornalista Rafael Cardoso da UFPR aponta algumas recomendações práticas para se aperfeiçoar o pensamento crítico sobre a IA e o ChatGPT:
Curto prazo:

  1. Fazer uma pesquisa nacional com servidores públicos e pesquisadores sobres principais usos, ferramentas, necessidades, receios e dificuldades em termos de IA;
  2. Mapeamento (urgente) e articulação das principais soluções já desenvolvidas por órgãos públicos (federais, estaduais e municipais).
  3. Compartilhamento de conhecimentos com base em casos aplicados, como o da AGU e o do TCU, além de outras dúzias que ainda não ganharam devido reconhecimento.
  4. Capacitação direta e constante de servidores públicos e conscientização dos políticos profissionais, assessores e partidos políticos;
  5. Emitir urgentemente grandes chamadas públicas de propostas para incentivar o desenvolvimento da IA, por meio da colaboração conjunta do setor privado, startups, organizações sem fins lucrativos, universidades e entidades governamentais para o desenvolvimento de soluções de IA sustentáveis e viáveis para o país.
    Médio prazo:
  6. Construir grande parque nacional de servidores tecnológicos, com efetivos serviços de armazenamento e processamento em nuvem e supercomputadores para aumentar nosso poder de processamento e o acesso de diferentes órgãos públicos;
  7. Aprovar uma lei de regulação de IA no Brasil, a exemplo do PL 2338/2023 e reformular de maneira ousada a Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (EBIA).
    Ele termina dizendo que “precisamos sair de uma posição de consumidores dessas tecnologias para ser construtores, desenvolvedores e, verdadeiramente, inovadores.”

Matérias completas no site: outraspalavras.net
Dito Ballio

Related Post

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *