{"id":7665,"date":"2025-08-07T07:59:47","date_gmt":"2025-08-07T10:59:47","guid":{"rendered":"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/index2.php\/?p=7665"},"modified":"2025-08-07T07:59:48","modified_gmt":"2025-08-07T10:59:48","slug":"mais-de-500-trabalhadores-sao-resgatados-de-condicoes-analogas-a-escravidao-em-canteiro-de-obras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/index2.php\/mais-de-500-trabalhadores-sao-resgatados-de-condicoes-analogas-a-escravidao-em-canteiro-de-obras\/","title":{"rendered":"Mais de 500 trabalhadores s\u00e3o resgatados de condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o em canteiro de obras."},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Mais de 500 trabalhadores s\u00e3o resgatados de condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o em canteiro de obras<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Recrutados no Norte e Nordeste, trabalhadores viviam em alojamentos superlotados e sem condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas. O caso inclui ind\u00edcios de tr\u00e1fico de pessoas, servid\u00e3o por d\u00edvida e jornadas exaustivas.<\/h2>\n\n\n\n<p>Por&nbsp;<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/autores\/rayane-moura\/\">Rayane Moura<\/a>, g1&nbsp;\u2014 S\u00e3o Paulo<\/p>\n\n\n\n<p>07\/08\/2025 07h30&nbsp;&nbsp;Atualizado&nbsp;h\u00e1 14 minutos<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/Q9TVYSSZgC33Il4QUWVO0vK5WJ8=\/0x0:3264x1986\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/s\/H\/yfRdktQyGTALdMv4Lx4g\/befunky-collage-11-.jpg\" alt=\"Opera\u00e7\u00e3o teve in\u00edcio ap\u00f3s trabalhadores atearem fogo em protesto contra condi\u00e7\u00f5es degradantes \u2014 Foto: MTE\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Opera\u00e7\u00e3o teve in\u00edcio ap\u00f3s trabalhadores atearem fogo em protesto contra condi\u00e7\u00f5es degradantes \u2014 Foto: MTE<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/d90dd8e26ffc472e43e75e5230c07e80.safeframe.googlesyndication.com\/safeframe\/1-0-45\/html\/container.html\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Ao menos<strong>&nbsp;563 trabalhadores foram resgatados de condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o&nbsp;<\/strong>em&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/mt\/mato-grosso\/cidade\/porto-alegre-do-norte\/\">Porto Alegre do Norte (MT)<\/a>. A informa\u00e7\u00e3o foi divulgada pelo Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (MTE) e Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT) nesta quinta-feira (7).<\/p>\n\n\n\n<p>Auditores-fiscais encontraram trabalhadores recrutados&nbsp;das regi\u00f5es norte e nordeste do pa\u00eds em situa\u00e7\u00e3o degradante, em um canteiro de obras na zona rural do munic\u00edpio.&nbsp;<strong>A opera\u00e7\u00e3o teve in\u00edcio no dia 20 de julho<\/strong>&nbsp;e revelaram um quadro alarmante de condi\u00e7\u00f5es degradantes de trabalho na constru\u00e7\u00e3o de uma usina de etanol.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a fiscaliza\u00e7\u00e3o, um inc\u00eandio que atingiu parte dos alojamentos teria sido provocado por trabalhadores como forma de protesto contra as constantes falhas no fornecimento de energia el\u00e9trica e \u00e1gua pot\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>As condi\u00e7\u00f5es comprometia a sa\u00fade e o conforto nos alojamentos, al\u00e9m de impedir o descanso adequado diante do calor extremo da regi\u00e3o. O inc\u00eandio revelou um&nbsp;<strong>cen\u00e1rio alarmante de precariedade e viola\u00e7\u00f5es trabalhistas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dormit\u00f3rios mediam apenas 12 m\u00b2 e abrigavam at\u00e9 quatro pessoas, sem ventila\u00e7\u00e3o adequada ou climatiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o inc\u00eandio, parte dos trabalhadores foram transferidos para casas e hot\u00e9is da regi\u00e3o, a cerca de 30 quil\u00f4metros do local da obra.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, muitos continuaram em situa\u00e7\u00e3o degradante: dormindo em colch\u00f5es no ch\u00e3o, sem camas, roupas de cama ou espa\u00e7os adequados para guardar os poucos pertences que lhes restaram.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o MTE, alguns oper\u00e1rios perderam todos os bens pessoais no inc\u00eandio. Um grupo chegou a ser realocado em um gin\u00e1sio de esportes de uma cidade vizinha.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, a fiscaliza\u00e7\u00e3o constatou que a empresa n\u00e3o emitiu as Comunica\u00e7\u00f5es de Acidente de Trabalho (CATs) para os trabalhadores feridos no inc\u00eandio, prejudicando o acesso a benef\u00edcios previdenci\u00e1rios e acompanhamento m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Aliciamento, d\u00edvidas e falsas promessas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m identificou um&nbsp;esquema de aliciamento e servid\u00e3o por d\u00edvida, com fortes ind\u00edcios de tr\u00e1fico de pessoas. Sem conseguir contratar localmente, a empresa&nbsp;<strong>promoveu um recrutamento massivo<\/strong>&nbsp;em estados do Norte e Nordeste.<\/p>\n\n\n\n<p>O recrutamento era feito por meio de<strong>&nbsp;carros de som e mensagens em grupos de WhatsApp<\/strong>, com&nbsp;promessas enganosas de altos ganhos com horas extras. Muitos trabalhadores relataram ter pago valores a intermedi\u00e1rios para conseguir a vaga e arcaram com os custos da viagem e alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outros casos, a empresa cobriu as despesas da viagem, mas os valores foram integralmente descontados dos sal\u00e1rios \u2014 pr\u00e1tica considerada ilegal e abusiva que transfere aos trabalhadores o risco do empreendimento.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Outro ponto grave foi a descoberta de um sistema paralelo de controle de jornada,\u00a0<\/em><strong><em>conhecido como \u201cponto 2\u201d.\u00a0<\/em><\/strong><em>Nele, eram registradas horas extras que n\u00e3o constavam nos controles oficiais. Esses pagamentos eram feitos em dinheiro vivo ou cheques, sem registro em contracheque, recolhimento de FGTS ou contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Os auditores ouviram relatos de oper\u00e1rios que trabalhavam&nbsp;<strong>semanas seguidas, inclusive aos domingos, sem qualquer folga<\/strong>, em total descumprimento da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista. As horas extras, prometidas na contrata\u00e7\u00e3o,&nbsp;faziam parte de uma falsa promessa de altos rendimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da gravidade das infra\u00e7\u00f5es, a empresa manifestou interesse em firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho.&nbsp;<strong>Entre as medidas compensat\u00f3rias previstas est\u00e3o:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Custeio do retorno dos trabalhadores aos seus estados de origem;<\/li>\n\n\n\n<li>Devolu\u00e7\u00e3o dos valores cobrados indevidamente cobrados pela viagem de vinda;<\/li>\n\n\n\n<li>Pagamento de R$ 1.000,00 a cada trabalhador como indeniza\u00e7\u00e3o pelos bens pessoais perdidos.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A fiscaliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m garantiu o pagamento de todas as verbas rescis\u00f3rias, incluindo sal\u00e1rios pagos \u201cpor fora\u201d, horas extras, f\u00e9rias proporcionais, 13\u00ba sal\u00e1rio, FGTS e demais direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os trabalhadores resgatados receber\u00e3o o seguro-desemprego em modalidade especial, prevista para v\u00edtimas de trabalho an\u00e1logo ao de escravo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que \u00e9 trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O C\u00f3digo Penal define como&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/trabalho-e-carreira\/noticia\/2023\/02\/28\/o-que-e-trabalho-analogo-a-escravidao-segundo-a-lei-brasileira.ghtml\"><strong>trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o<\/strong><\/a>&nbsp;aquele que \u00e9 &#8220;caracterizado pela submiss\u00e3o de algu\u00e9m a trabalhos for\u00e7ados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condi\u00e7\u00f5es degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomo\u00e7\u00e3o em raz\u00e3o de d\u00edvida contra\u00edda com o empregador ou seu preposto&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo trabalhador resgatado por um auditor-fiscal do Trabalho tem, por lei, direito ao benef\u00edcio chamado Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado (SDTR), que \u00e9 pago em tr\u00eas parcelas no valor de um sal\u00e1rio-m\u00ednimo cada.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse benef\u00edcio, somado \u00e0 garantia dos direitos trabalhistas cobrados dos empregadores, busca oferecer condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas para que o trabalhador ou trabalhadora possa recome\u00e7ar sua vida ap\u00f3s sofrer uma grave viola\u00e7\u00e3o de direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a pessoa resgatada \u00e9 encaminhada \u00e0 rede de Assist\u00eancia Social, onde recebe acolhimento e \u00e9 direcionada para as pol\u00edticas p\u00fablicas mais adequadas ao seu perfil e necessidades espec\u00edficas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#x26a0;&#xfe0f; COMO DENUNCIAR? &#8211;<\/strong>&nbsp;Existe um canal espec\u00edfico para den\u00fancias de trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o: \u00e9 o&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/ipe.sit.trabalho.gov.br\/#!\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Sistema Ip\u00ea<\/strong><\/a>, dispon\u00edvel pela internet. O denunciante n\u00e3o precisa se identificar, basta acessar o sistema e inserir o maior n\u00famero poss\u00edvel de informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia \u00e9 que a fiscaliza\u00e7\u00e3o possa, a partir dessas informa\u00e7\u00f5es do denunciante, analisar se o caso de fato configura trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o e realizar as verifica\u00e7\u00f5es no local.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais de 500 trabalhadores s\u00e3o resgatados de condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o em canteiro de obras Recrutados no Norte e Nordeste, trabalhadores viviam em alojamentos superlotados e sem condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas. O caso inclui ind\u00edcios de tr\u00e1fico de pessoas, servid\u00e3o por d\u00edvida e jornadas exaustivas. 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