{"id":7593,"date":"2025-07-26T22:06:55","date_gmt":"2025-07-27T01:06:55","guid":{"rendered":"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/index2.php\/?p=7593"},"modified":"2025-07-26T22:06:58","modified_gmt":"2025-07-27T01:06:58","slug":"tereza-de-benguela-a-escrava-que-virou-rainha-e-liderou-um-quilombo-de-negros-e-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/index2.php\/tereza-de-benguela-a-escrava-que-virou-rainha-e-liderou-um-quilombo-de-negros-e-indigenas\/","title":{"rendered":"Tereza de Benguela: a escrava que virou rainha e liderou um quilombo de negros e ind\u00edgenas."},"content":{"rendered":"\n<p>Tereza de Benguela \u00e9, assim como outras hero\u00ednas negras, um dos nomes esquecidos pela historiografia nacional, que, nos \u00faltimos anos, devido ao engajamento do movimento de mulheres negras e \u00e0 pesquisa ou ao resgate de documentos at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o devidamente estudados, na busca de recontar a hist\u00f3ria nacional e multiplicar as narrativas que revelam a forma\u00e7\u00e3o sociopol\u00edtica brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Conhe\u00e7a a hist\u00f3ria dessa mulher incr\u00edvel!<\/p>\n\n\n\n<p><img data-dominant-color=\"925c3c\" data-has-transparency=\"false\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"194\" class=\"not-transparent wp-image-7594\" style=\"--dominant-color: #925c3c; width: 150px;\" src=\"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/images-86.webp\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/images-86.webp 487w, https:\/\/rosarioitanews.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/images-86-232x300.webp 232w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/>O local de nascimento de&nbsp;<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Teresa_de_Benguela\">Tereza de Benguela<\/a>&nbsp;\u00e9 desconhecido. Ela pode ter nascido em algum pa\u00eds do continente africano ou no Brasil, mas sua vida faz parte da hist\u00f3ria pouco contada do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Tereza viveu no s\u00e9culo XVIII e foi casada com Jos\u00e9 Piolho, que chefiava o Quilombo do Piolho at\u00e9 ser assassinado por soldados do Estado. O Quilombo do Piolho tamb\u00e9m era conhecido como&nbsp;Quilombo do Quariter\u00ea (a atual fronteira entre Mato Grosso e Bol\u00edvia). Esse quilombo foi o maior do Mato Grosso.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a morte de Jos\u00e9 Piolho, Tereza se tornou a l\u00edder do quilombo, e, sob sua lideran\u00e7a, a comunidade negra e ind\u00edgena resistiu \u00e0 escravid\u00e3o por duas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>O Quilombo do Quariter\u00ea abrigava mais de 100 pessoas, com destacada presen\u00e7a de negros e ind\u00edgenas. Tereza navegava com barcos imponentes pelos rios do pantanal. E todos a chamavam de \u201cRainha Tereza\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O Quilombo, territ\u00f3rio de dif\u00edcil acesso, foi o ambiente perfeito para Tereza coordenar um forte aparato de defesa e articular um parlamento para decidir em grupo as a\u00e7\u00f5es da comunidade, que vivia do cultivo de algod\u00e3o, milho, feij\u00e3o, mandioca, banana, e da venda dos excedentes produzidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tereza comandou a estrutura pol\u00edtica, econ\u00f4mica e administrativa do quilombo, mantendo um sistema de defesa com armas trocadas com os brancos ou roubadas das vilas pr\u00f3ximas. Os objetos de ferro utilizados contra a comunidade negra que l\u00e1 se refugiava eram transformados em instrumentos de trabalho, visto que dominavam o uso da forja.<\/p>\n\n\n\n<p>Os &#8220;Anais de Vila Bela&#8221; (1770) relatam que Tereza governava como num parlamento:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cGovernava esse quilombo a modo de parlamento, tendo para o conselho uma casa destinada, para a qual, em dias assinalados de todas as semanas, entrava os deputados, sendo o de maior autoridade, tipo por conselheiro, Jos\u00e9 Piolho, escravo da heran\u00e7a do defunto Ant\u00f4nio Pacheco de Morais. Isso faziam, tanto que eram chamados pela rainha, que era a que presidia e que naquele negral Senado se assentava, e se executava \u00e0 risca, sem apela\u00e7\u00e3o nem agravo.\u201d<br><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se tem registros de como Tereza morreu. Uma vers\u00e3o \u00e9 que ela se suicidou depois de ser capturada por bandeirantes a mando da capitania do Mato Grosso, por volta de 1770, e outra afirma que Tereza foi assassinada e teve a cabe\u00e7a exposta no centro do Quilombo.<\/p>\n\n\n\n<p>O Quilombo resistiu at\u00e9 1770, quando foi destru\u00eddo pelas for\u00e7as de Lu\u00eds Pinto de Sousa Coutinho. A popula\u00e7\u00e3o na \u00e9poca era de 79 negros e 30 ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em homenagem a Tereza de Benguela, o dia 25 de julho \u00e9 oficialmente no Brasil o&nbsp;Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. A data comemorativa foi institu\u00edda pela&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2014\/lei\/l12987.htm\">Lei n\u00b0 12.987\/2014<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da data comemorativa, a rainha Tereza foi homenageada nos versos da escola de samba Unidos do Viradouro, com o enredo da agremia\u00e7\u00e3o de 1994, cujo t\u00edtulo \u00e9 \u2018Tereza de Benguela \u2013 Uma Rainha Negra no Pantanal\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Reportagem de Tiago Arag\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Fontes:  Biblioteca Universit\u00e1ria Zilda Paim &#8211; CECULT.<br>Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia<\/p>\n\n\n\n<p>Indica\u00e7\u00f5es de leitura e estudos sobre mulheres negras e quilombolas:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Beatriz Nascimento \u2013 O negro visto por ele mesmo. Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Sueli Carneiro \u2013 Escritos de uma vida. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Jurema Werneck \u2013 O livro da sa\u00fade das mulheres negras: nossos passos v\u00eam de longe. Rio de Janeiro: Pallas, 2006.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas autoras nos ajudam a compreender com profundidade o papel das mulheres negras na forma\u00e7\u00e3o do Brasil, suas estrat\u00e9gias de resist\u00eancia e os caminhos para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa e antirracista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tereza de Benguela \u00e9, assim como outras hero\u00ednas negras, um dos nomes esquecidos pela historiografia nacional, que, nos \u00faltimos anos, devido ao engajamento do movimento de mulheres negras e \u00e0 pesquisa ou ao resgate de documentos at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o devidamente estudados, na busca de recontar a hist\u00f3ria nacional e multiplicar as narrativas que revelam a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":7595,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[212],"tags":[],"class_list":["post-7593","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/index2.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7593","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/index2.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/index2.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/index2.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/index2.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7593"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/index2.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7593\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7596,"href":"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/index2.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7593\/revisions\/7596"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/index2.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7595"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/index2.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7593"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/index2.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7593"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/index2.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7593"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}