{"id":7432,"date":"2025-07-09T00:35:22","date_gmt":"2025-07-09T03:35:22","guid":{"rendered":"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/index2.php\/?p=7432"},"modified":"2025-07-09T00:35:22","modified_gmt":"2025-07-09T03:35:22","slug":"em-tres-serie-de-reportagens-confira-aqui-nesta-primeira-edicao-os-impactos-causados-por-projetos-do-capital-rota-de-colisao-parte-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/index2.php\/em-tres-serie-de-reportagens-confira-aqui-nesta-primeira-edicao-os-impactos-causados-por-projetos-do-capital-rota-de-colisao-parte-1\/","title":{"rendered":"Em tr\u00eas serie de reportagens, confira aqui nesta primeira edi\u00e7\u00e3o, os impactos causados por projetos do capital;  Rota de Colis\u00e3o, parte 1."},"content":{"rendered":"\n<p>A poeira e o barulho ensurdecedor atormentam as comunidades de fundo de pasto nas cercanias do canteiro de obras da Voltalia, multinacional de origem francesa que atua no setor de energia. A constru\u00e7\u00e3o de um complexo e\u00f3lico entre Canudos, Jeremoabo e Euclides da Cunha, no sert\u00e3o da Bahia, tem potencial de causar danos ainda maiores, amea\u00e7ando o modo de vida tradicional da popula\u00e7\u00e3o e a preserva\u00e7\u00e3o da arara-azul-de-lear, ave em risco de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No site da multinacional consta que ela foi fundada em 2005 e est\u00e1 presente em 20 pa\u00edses, com o objetivo de \u201cmelhorar o meio ambiente global, promovendo o desenvolvimento local\u201d. O principal acionista da Voltalia \u00e9 a Creadev \u2013 www.creadev.com -, empresa de investimento, fundada por uma fam\u00edlia francesa. Os Mulliez s\u00e3o propriet\u00e1rios de 130 marcas, incluindo a Decathlon e a Leroy Merlin, e faturam cerca de 100 bilh\u00f5es de euros por ano.<\/p>\n\n\n\n<p><img data-dominant-color=\"958173\" data-has-transparency=\"false\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"100\" class=\"not-transparent wp-image-7433\" style=\"--dominant-color: #958173; width: 150px;\" src=\"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Screenshot_20250709_002251_Chrome.webp\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Screenshot_20250709_002251_Chrome.webp 613w, https:\/\/rosarioitanews.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Screenshot_20250709_002251_Chrome-300x200.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><em>Seu Antonino, vaqueiro da comunidade fundo de pasto do Bom Jardim, em Canudos (BA). (Thomas Bauer \u2013 CPT Bahia\/ H3000)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Desde menino, seu Antonino Carvalho campeia gado em \u201cterra de er\u00e9u\u201d, extens\u00f5es de terra que nunca tiveram dono:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Esse lugar \u00e9 de todos n\u00f3s. Agora os cabras invadiram tudo e n\u00f3s fomos perdendo o lugar nessa terra de er\u00e9u. Os de fora t\u00e3o deixando n\u00f3s sem futuro. Daqui mais uns dias, s\u00f3 pode criar gente porque cria dentro de casa<\/em>\u201d \u2013 desabafa.<\/p>\n\n\n\n<p>O vaqueiro Antonino participou de diversos document\u00e1rios e deu depoimentos para diversos livros sobre vaqueiros. Hoje, aos 66 anos, vive angustiado com o impacto da obra da Voltalia na regi\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>O gado n\u00e3o t\u00e1 aguentando a zoada. Os bois tomaram medo e desertaram. N\u00f3s j\u00e1 fomos pegar animais chegando no Sergipe. E n\u00e3o foi uma vez s\u00f3<\/em>\u201d \u2013 relata<\/p>\n\n\n\n<p>O drama dos povos tradicionais come\u00e7ou no final de 2018, quando a multinacional de energia protocolou no Instituto do Meio Ambiente e Recursos H\u00eddricos (Inema) o requerimento para licen\u00e7a pr\u00e9via de instala\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m solicitou a autoriza\u00e7\u00e3o de manejo de fauna para o complexo, composto por 97 aerogeradores (turbinas que convertem a energia cin\u00e9tica do vento em eletricidade) e onze parques e\u00f3licos.<\/p>\n\n\n\n<p>O in\u00edcio das obras para a instala\u00e7\u00e3o das turbinas nas usinas de Canudos I e II est\u00e1 impactando diretamente nas comunidades de Bom Jardim, Angico, Toca Velha, Pedra Sozinha, Toca da On\u00e7a, Raso, Rio do Suturno, Alto Redondo, Barriguda, Ros\u00e1rio, Aroeira (Canudos) e Angico Silva (Jeremoabo).<\/p>\n\n\n\n<p>Maria Pereira nasceu, se criou e ainda vive em Toca da On\u00e7a, e conta que se assustou com o repentino interesse pelas terras da regi\u00e3o e com a quantidade de gente estranha perambulando pela localidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua fam\u00edlia sofreu ass\u00e9dio para vender a propriedade:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Um rapaz que teve l\u00e1. Ele conversou com meus irm\u00e3os e perguntou se a gente n\u00e3o queria vender. N\u00f3s n\u00e3o podemos vender porque \u00e9 ali onde n\u00f3s vivemos. Se a gente vende, n\u00f3s ia pra aonde?<\/em>\u201d (sic) \u2013 questiona.<\/p>\n\n\n\n<p>Independente das recusas, grande movimenta\u00e7\u00e3o para abertura de variantes e estradas, instala\u00e7\u00e3o de cercas na regi\u00e3o e desmatamentos est\u00e3o em andamento.<\/p>\n\n\n\n<p><img data-dominant-color=\"71695f\" data-has-transparency=\"false\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"98\" class=\"not-transparent wp-image-7434\" style=\"--dominant-color: #71695f; width: 150px;\" src=\"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Screenshot_20250709_002526_Chrome.webp\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Screenshot_20250709_002526_Chrome.webp 625w, https:\/\/rosarioitanews.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Screenshot_20250709_002526_Chrome-300x196.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><em>Maria Pereira e a fam\u00edlia at\u00e9 hoje resistem a se desfazer da terra que s\u00e3o de heran\u00e7a<\/em>&nbsp;(Thomas Bauer \u2013 CPT Bahia\/ H3000)<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Muitas pessoas j\u00e1 venderam o gado porque n\u00e3o tem mais onde criar, n\u00e9? Se terminarem de passar o resto da vegeta\u00e7\u00e3o pra cercarem a mata, j\u00e1 era. Vai ficar sem movimento mesmo para o sustento do animal e pra gente, que depende da cria\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d \u2013 desabafa Maria Pereira.<\/p>\n\n\n\n<p>A express\u00e3o fundo de pasto possui sentido semelhante a fundo de quintal. Os moradores antigos erguiam suas casas pr\u00f3ximas a aguadas ou fontes de \u00e1gua necess\u00e1rias para a sobreviv\u00eancia. E contavam com os fundos das casas voltados para extens\u00f5es de terra de se perder de vista para os animais. Al\u00e9m disso, cultivavam pequenas ro\u00e7as de feij\u00e3o, mandioca, milho, ab\u00f3bora, dentre outros alimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>O hist\u00f3rico de conflitos, muitas vezes ligados \u00e0 especula\u00e7\u00e3o, e a press\u00e3o sobre as \u00e1reas de solta assombram os moradores que conseguiram unir gera\u00e7\u00e3o de renda com a preserva\u00e7\u00e3o da caatinga, garantindo o equil\u00edbrio do meio ambiente por quase dois s\u00e9culos.<\/p>\n\n\n\n<p>A disputa se intensificou nos anos 1960, com a participa\u00e7\u00e3o do Estado. Sempre acompanhado do discurso de minimizar os efeitos da seca no semi\u00e1rido e promover o crescimento econ\u00f4mico foram criados diferentes programas, dentre eles o Projeto Sertanejo.<\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Adelson, morador do Alto Redondo, explica:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEra um incentivo. A concess\u00e3o de empr\u00e9stimos para pequenos criadores e produtores, na verdade, ficou s\u00f3 no papel. Quem acessava eram pessoas que n\u00e3o tinham atividade rural e desviavam a verba. Investiam em outra coisa e adquiriam terras. Uma vez comprada uma pequena \u00e1rea, faziam retifica\u00e7\u00f5es de \u00e1reas e passavam a especular at\u00e9 encontrar um comprador.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><img data-dominant-color=\"85796e\" data-has-transparency=\"false\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"105\" class=\"not-transparent wp-image-7435\" style=\"--dominant-color: #85796e; width: 150px;\" src=\"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Screenshot_20250709_002728_Chrome.webp\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Screenshot_20250709_002728_Chrome.webp 600w, https:\/\/rosarioitanews.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Screenshot_20250709_002728_Chrome-300x210.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><em>Jos\u00e9 Adelson puxando \u00e1gua atrav\u00e9s de uma bomba manual para o seu criat\u00f3rio.<\/em>&nbsp;(Thomas Bauer \u2013 CPT Bahia\/ H3000)<\/p>\n\n\n\n<p>Os financiamentos foram acompanhados pela \u201clei do p\u00e9 alto\u201d, tamb\u00e9m chamada de \u201clei dos quatro fios\u201d. Trata-se de regulamentos municipais que favoreciam a ocupa\u00e7\u00e3o de terras pelos grandes pecuaristas. As novas regras obrigavam a cria\u00e7\u00e3o de caprinos e ovinos apenas em \u00e1reas cercadas, com o objetivo de evitar preju\u00edzos em outras propriedades. Na pr\u00e1tica, a exig\u00eancia de cercar as terras com quatro fios de arame previa ainda que os pequenos animais que a ultrapassassem poderiam ser abatidos. Isso inviabilizava o modo de vida dos povos tradicionais de fundo de pasto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>N\u00f3s sabemos que no semi\u00e1rido as chuvas s\u00e3o localizadas. Ent\u00e3o se voc\u00ea n\u00e3o tem uma \u00e1rea de fundo de pasto para produ\u00e7\u00e3o, muitas vezes a chuva cair\u00e1 onde os animais n\u00e3o circulam. Mas se tem, eles circular\u00e3o livremente e n\u00e3o ter\u00e1 um rebanho passando fome e outro de barriga cheia<\/em>.\u201d garante Adelson, que insiste em criar seu rebanho de caprinos em um espa\u00e7o cada vez mais reduzido.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o principalmente as \u00e1reas de solta, utilizadas pelos moradores das comunidades tradicionais de forma coletiva que garantem a sobreviv\u00eancia de todos. Ao contr\u00e1rio desta realidade e costume, logo que chegou \u00e0 regi\u00e3o, a Voltalia, atrav\u00e9s de propaganda, gerou expectativa de melhoria de vida com a cria\u00e7\u00e3o de empregos. Os n\u00fameros anunciados ficaram abaixo da realidade e a disputa pelas poucas vagas gerou divis\u00f5es internas nas comunidades. Segundo a publica\u00e7\u00e3o trimestral \u201cVoltalia Informa\u201d, de dezembro de 2021, houve a contrata\u00e7\u00e3o de cerca de 400 pessoas, muitos deles de outras cidades e regi\u00f5es. Os empregados equivalem a 16,6% dos moradores das comunidades tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>HABITAT DAS ARARAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A iniciativa do Projeto Jardins da Arara de Lear \u00e9 um exemplo de gera\u00e7\u00e3o de renda de maneira sustent\u00e1vel. Em conjunto com as comunidades buscam-se alternativas vi\u00e1veis \u00e0s a\u00e7\u00f5es que degradam o meio ambiente. Segundo Marlene Reis, 42 anos, integrante do grupo, mais de 120 fam\u00edlias participam do projeto. O artesanato produzido \u00e9 exposto e vendido em duas lojas pr\u00f3prias e garantem a renda dos participantes<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Eu vejo com muita preocupa\u00e7\u00e3o a inten\u00e7\u00e3o da empresa francesa que est\u00e1 instalando um parque e\u00f3lico exatamente no n\u00facleo de ocorr\u00eancia da arara-azul-de-lear. Ele fica na regi\u00e3o de circula\u00e7\u00e3o que as aves mais sobrevoam de um dormit\u00f3rio para outro e para as \u00e1reas de alimenta\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d \u2013 informa Marlene, mostrando um mapa elaborado pelo projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desta preocupa\u00e7\u00e3o os integrantes do grupo procuraram os respons\u00e1veis pela Voltalia, em 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>A gente quis conhecer a propor\u00e7\u00e3o do parque. E sugerimos que n\u00e3o fosse neste local porque n\u00e3o precisa nem ser cientista para ver que ali \u00e9 uma amea\u00e7a \u00e0s nossas araras. Mas, infelizmente, a nossa opini\u00e3o n\u00e3o foi respeitada pela empresa<\/em>\u201d \u2013 diz Marlene, decepcionada.<\/p>\n\n\n\n<p>A agricultora Maria Ribeiro tem uma paix\u00e3o especial pela arara-azul-de-lear. Conta que n\u00e3o tem um dia em que elas n\u00e3o sobrevoem a comunidade:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>\u00c0s vezes passam de duas, \u00e0s vezes passam de seis. Eu sempre vejo o movimento delas<\/em>\u201d- diz<\/p>\n\n\n\n<p>Maria divide com elas o milho plantado e garante nunca as ter espantado de dentro da sua ro\u00e7a porque as aves fazem parte da natureza. Quando ouviu falar da poss\u00edvel instala\u00e7\u00e3o do Parque E\u00f3lico logo pensou que as araras seriam as mais afetadas, assim como outras aves.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro desenho de uma arara-azul-de-lear foi feito pelo ilustrador Edward Lear, no in\u00edcio de 1830, em um jardim zool\u00f3gico, em Londres. Logo os tra\u00e7os delicados que retratavam a ave cativaram o olhar de zo\u00f3logos e bi\u00f3logos, que desconheciam sua origem. Vinte e seis anos depois, o franc\u00eas Charles Lucien Bonaparte, sobrinho do imperador Napole\u00e3o, fascinado pela imagem, descreve minuciosamente a esp\u00e9cie a partir de animais empalhados. Este zo\u00f3logo batizou a esp\u00e9cie de Anodorhycus leari. O mist\u00e9rio sobre o habitat da arara permanecia.<\/p>\n\n\n\n<p>Apenas em 1978, portanto cerca de dois s\u00e9culos e meio depois, o ornit\u00f3logo alem\u00e3o naturalizado brasileiro Helmut Sick1 adentrou pelo sert\u00e3o, seguindo pistas dadas por sertanejos, e descobriu a esp\u00e9cie que estava amea\u00e7ada em pared\u00f5es. A expedi\u00e7\u00e3o de Sick contou com a ajuda de Eliseu Alves, pai de Eurivaldo Caboclo Alves, 50 anos, respons\u00e1vel pela esta\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica da ONG Biodiversitas, na Toca Velha. Caboclo \u00e9 um dos encarregados pela preserva\u00e7\u00e3o da \u00e1rea e prote\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. Ele lembra que quando Sick chegou \u00e0 Fazenda Angico Descascado, onde Eliseu morava , viu pela primeira vez seis araras.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Meu pai disse que sabia onde elas ficavam e o trouxe \u00e0 Toca<\/em>\u201d \u2013 conta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>RECOMENDA\u00c7\u00d5ES IGNORADAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Diante das viola\u00e7\u00f5es praticadas pela multinacional francesa, entidades como a Articula\u00e7\u00e3o Estadual das Comunidades Tradicionais de Fundos e Fechos de Pasto, a Associa\u00e7\u00e3o de Advogados de Trabalhadores Rurais no Estado da Bahia, o Instituto Regional da Pequena Agropecu\u00e1ria Apropriada, o Instituto Popular Memorial de Canudos, a Funda\u00e7\u00e3o Biodiversitas, a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra e o Movimento Salve as Serras pediram provid\u00eancias, por of\u00edcio, ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual (MPE).<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre as normas descumpridas pela Voltalia est\u00e1 a n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o de consulta pr\u00e9via \u00e0s comunidades prevista na Conven\u00e7\u00e3o 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), a n\u00e3o&nbsp;realiza\u00e7\u00e3o do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e a n\u00e3o divulga\u00e7\u00e3o do Relat\u00f3rio de Impacto Ambiental (Rima), previsto pela resolu\u00e7\u00e3o 4.579, do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Cepram) e exigido para concess\u00e3o de licen\u00e7a em empreendimentos como este.<\/p>\n\n\n\n<p>As den\u00fancias foram acatadas pelo promotor regional ambiental de Euclides da Cunha, Adriano Nunes de Souza, e pela promotora Luciana Espinheira da Costa Khoury. Diante disto, no dia 19 de julho de 2021, foi expedida a recomenda\u00e7\u00e3o 01\/2021, anexa ao inqu\u00e9rito civil j\u00e1 aberto. Nela, o MPE diz ser necess\u00e1ria a rean\u00e1lise do processo de licenciamento, a fim de que seja suspensa ou anulada a licen\u00e7a ambiental da Voltalia. Sugere ainda a realiza\u00e7\u00e3o de consulta pr\u00e9via \u00e0s comunidades e recomenda que a empresa se abstenha de implantar o parque e\u00f3lico.<\/p>\n\n\n\n<p>As recomenda\u00e7\u00f5es foram ignoradas pela multinacional francesa e pelo Inema e as obras foram aceleradas. Recentemente, os moradores das comunidades foram surpreendidos por an\u00fancio veiculado pelo whatsapp, na qual a empresa informa:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Ol\u00e1 moradores de Canudos, Jeremoabo e Euclides da Cunha. A Voltalia informa que as obras dos Parques E\u00f3licos I e II est\u00e3o caminhando para fase final. Ap\u00f3s a conclus\u00e3o da etapa da concretagem das funda\u00e7\u00f5es, estamos iniciando a fase de montagem das 28 torres e\u00f3licas, tamb\u00e9m chamadas de aerogeradores. Os aerogeradores s\u00e3o formados por componentes de grande porte que podem chegar a sessenta e quatro metros de comprimento. Por isto, fiquem atentos \u00e0 movimenta\u00e7\u00e3o de grandes cargas nas estradas<\/em>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Indignados com a postura e desrespeito da empresa e do \u00f3rg\u00e3o ambiental estadual, os integrantes das comunidades tradicionais esperam que a justi\u00e7a conceda liminar para suspender a obra, antes de definir a reloca\u00e7\u00e3o do empreendimento para um local que cause menos impactos.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: CPT Bahia\/Meus Sert\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A poeira e o barulho ensurdecedor atormentam as comunidades de fundo de pasto nas cercanias do canteiro de obras da Voltalia, multinacional de origem francesa que atua no setor de energia. 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