{"id":7359,"date":"2025-07-05T11:02:01","date_gmt":"2025-07-05T14:02:01","guid":{"rendered":"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/index2.php\/?p=7359"},"modified":"2025-07-05T11:02:02","modified_gmt":"2025-07-05T14:02:02","slug":"brasil-reivindica-ilha-submersa-no-atlantico-do-tamanho-da-espanha-rica-em-minerais-do-futuro-entenda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/index2.php\/brasil-reivindica-ilha-submersa-no-atlantico-do-tamanho-da-espanha-rica-em-minerais-do-futuro-entenda\/","title":{"rendered":"Brasil reivindica ilha submersa no Atl\u00e2ntico do tamanho da Espanha rica em &#8216;minerais do futuro&#8217;; entenda."},"content":{"rendered":"\n<p>Uma ilha submersa no Oceano Atl\u00e2ntico do tamanho da Espanha \u00e9 reivindicada pelo Brasil desde 2018 junto \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). Conhecida como Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande, a ilha est\u00e1 a 5 mil metros de profundidade e a cerca de 1.200 km da costa do Rio Grande do Sul. A forma\u00e7\u00e3o pode um dia ter sido parte do territ\u00f3rio que hoje \u00e9 o Brasil. Evid\u00eancias cient\u00edficas mostram que o solo, antes de submergir, era id\u00eantico ao do interior de S\u00e3o Paulo. A reivindica\u00e7\u00e3o \u00e9 feita com base na Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), que permite aos pa\u00edses ampliar sua plataforma continental, desde que comprovem essa continuidade geol\u00f3gica. Estudos feitos por pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) indicam que a ilha de 500 mil km\u00b2 cont\u00e9m &#8220;terras raras&#8221; (minerais &#8216;do futuro&#8217;, considerados estrat\u00e9gicos para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica), al\u00e9m de basalto (rocha vulc\u00e2nica) e camadas de argila vermelha \u2014 que comprovam que o local j\u00e1 foi uma ilha vulc\u00e2nica tropical.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;S\u00e3o minerais que ocorrem na natureza. Ou o pa\u00eds tem reserva ou n\u00e3o tem, n\u00e3o tem como criar uma ind\u00fastria de minerais. E o Brasil tem muito desta riqueza. O que encontramos \u00e9 uma concentra\u00e7\u00e3o an\u00f4mala de minerais na Eleva\u00e7\u00e3o Rio Grande&#8221;, explica a pesquisadora Carina Ulsen, da USP. O Brasil tem a segunda maior reserva de &#8220;terras raras&#8221; do mundo, segundo o Minist\u00e9rio de Minas e Energia (MME). Contudo, ainda n\u00e3o domina plenamente a tecnologia de beneficiamento e transforma\u00e7\u00e3o industrial desses minerais.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, isso significa que o pa\u00eds ainda exporta, em boa parte, os minerais como commodities brutas, sem agregar valor. Reivindica\u00e7\u00e3o pelo territ\u00f3rio<br>Segundo a Marinha do Brasil, a Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande fica em uma \u00e1rea conhecida como Margem Oriental-Meridional. Essa \u00e1rea \u00e9 uma das tr\u00eas que s\u00e3o reivindicadas pelo governo brasileiro em \u00e1guas internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>A Margem Oriental-Meriodional tem 1.500.000 km\u00b2 e fica mais ao Sul. Al\u00e9m dessa, h\u00e1 os territ\u00f3rios nomeados Regi\u00e3o Sul e Margem Equatorial. As tr\u00eas \u00e1reas ficam al\u00e9m da Zona Econ\u00f4mica Exclusiva (ZEE) do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>&#x27a1;&#xfe0f; ZEE: territ\u00f3rio mar\u00edtimo que abrange uma faixa de 200 milhas n\u00e1uticas (aproximadamente 370 quil\u00f4metros) a partir do litoral, estabelecido como territ\u00f3rio brasileiro desde a assinatura da Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Direito Mar (CNUDM), em 10 de dezembro de 1982. O territ\u00f3rio al\u00e9m desta faixa \u00e9 considerado patrim\u00f4nio da humanidade. O pleito do governo brasileiro por controle da Margem Oriental-Meridional est\u00e1 em an\u00e1lise pela Comiss\u00e3o de Limites da Plataforma Continental (CLPC) da Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Direito do Mar desde 26 de fevereiro de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda de acordo com a Marinha, que \u00e9 respons\u00e1vel por esse tipo de solicita\u00e7\u00e3o \u00e0s autoridades internacionais, um documento emitido pela CLPC em mar\u00e7o referendou a metodologia e os argumentos utilizados pelo Brasil na defini\u00e7\u00e3o do novo territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, o Brasil aguarda defini\u00e7\u00e3o da ONU sobre o pedido. N\u00e3o h\u00e1 prazo para resposta.<\/p>\n\n\n\n<p>Solo da ilha submersa \u00e9 id\u00eantico ao do interior de SP<br>De acordo com pesquisadores, a \u00e1rea mapeada possui picos que ultrapassam 4 mil metros de altura \u2014 mais altos que o Pico da Neblina, a montanha mais elevada do Brasil, que tem menos de 3 mil metros.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudos indicam que a antiga ilha vulc\u00e2nica tinha clima tropical e, muito provavelmente, era recoberta de florestas e rodeada por recifes. Com o tempo, a forma\u00e7\u00e3o foi sendo naturalmente erodida pela a\u00e7\u00e3o do vento, da chuva e das ondas, e coberta por sucessivas erup\u00e7\u00f5es de lava, que deram origem aos tapetes de argila vermelha espremidos entre camadas de basalto preto. As primeiras evid\u00eancias come\u00e7aram a aparecer em fevereiro de 2018, numa expedi\u00e7\u00e3o liderada por pesquisadores do Instituto Oceanogr\u00e1fico (IO) da USP que utilizou um navio de pesquisa para realizar dragagens.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma segunda expedi\u00e7\u00e3o, realizada oito meses depois com um navio brit\u00e2nico, permitiu liberar um ve\u00edculo submarino n\u00e3o-tripulado de opera\u00e7\u00e3o remota (ROV), que fez imagens em alta resolu\u00e7\u00e3o das camadas expostas na borda do c\u00e2nion que corta a Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande, conhecido como a \u201cGrande Fenda\u201d Essas evid\u00eancias mostram que, em seu estado original, o solo era id\u00eantico ao do interior de S\u00e3o Paulo, com terra vermelha. Atualmente, pesquisadores da USP e de outras universidades, como Mackenzie, UNB, UERJ, Unisinos e Ufes, buscam estudar quest\u00f5es como legisla\u00e7\u00e3o internacional, impactos ambientais, biologia, geologia e outros aspectos da Eleva\u00e7\u00e3o Rio Grande.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito ao pedido do governo brasileiro, essa similaridade \u00e9 um dos principais aspectos levados em conta pelos \u00f3rg\u00e3os internacionais que fazem a avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma ilha submersa no Oceano Atl\u00e2ntico do tamanho da Espanha \u00e9 reivindicada pelo Brasil desde 2018 junto \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). Conhecida como Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande, a ilha est\u00e1 a 5 mil metros de profundidade e a cerca de 1.200 km da costa do Rio Grande do Sul. 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