{"id":7129,"date":"2025-06-21T08:02:40","date_gmt":"2025-06-21T11:02:40","guid":{"rendered":"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/index2.php\/?p=7129"},"modified":"2025-06-21T08:07:50","modified_gmt":"2025-06-21T11:07:50","slug":"onu-119-mil-criancas-foram-mutiladas-ou-mortas-em-conflitos-armados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/index2.php\/onu-119-mil-criancas-foram-mutiladas-ou-mortas-em-conflitos-armados\/","title":{"rendered":"ONU: 11,9 mil crian\u00e7as foram mutiladas ou mortas em conflitos armados"},"content":{"rendered":"\n<p>No ano passado, a viol\u00eancia contra crian\u00e7as em conflitos armados atingiu n\u00edveis sem precedentes, com aumento de 25% do n\u00famero de viola\u00e7\u00f5es graves em compara\u00e7\u00e3o a 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o que informa o relat\u00f3rio anual da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) sobre crian\u00e7as e conflitos armados, divulgado na quinta-feira (19) pelo secret\u00e1rio-geral da entidade, Ant\u00f3nio Guterres.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2024, foram registrados 4.676 assassinatos e 7.291 mutila\u00e7\u00f5es, vitimando 11.967 crian\u00e7as. A nega\u00e7\u00e3o do acesso humanit\u00e1rio, com 7.906 incidentes, o recrutamento e uso de crian\u00e7as (7.402) e o sequestro de menores de idade (4.573) tamb\u00e9m apresentaram n\u00fameros extremamente preocupantes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Crian\u00e7as foram mortas e mutiladas, muitas vezes resultando em incapacidades permanentes, em n\u00fameros alarmantes, pelo uso de muni\u00e7\u00f5es explosivas, incluindo res\u00edduos explosivos de guerra, minas e dispositivos explosivos improvisados, e pelo fogo cruzado entre as partes em conflito. Ataques a instala\u00e7\u00f5es civis, incluindo escolas e hospitais, aumentaram drasticamente a vulnerabilidade das crian\u00e7as&#8221;, diz o relat\u00f3rio. Apesar de grupos armados n\u00e3o estatais terem sido respons\u00e1veis por quase 50% das viola\u00e7\u00f5es, as for\u00e7as governamentais foram as principais perpetradoras da morte e mutila\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as, de ataques a escolas e hospitais e da nega\u00e7\u00e3o de acesso humanit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Os maiores n\u00fameros de viola\u00e7\u00f5es graves foram verificados no Territ\u00f3rio Palestino Ocupado (8.554), especialmente na Faixa de Gaza, que sofre ataques massivos de Israel; na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (4.043); na Som\u00e1lia (2.568); na Nig\u00e9ria (2.436) e no Haiti (2.269).<br>No ano passado, a viol\u00eancia contra crian\u00e7as em conflitos armados atingiu n\u00edveis sem precedentes, com aumento de 25% do n\u00famero de viola\u00e7\u00f5es graves em compara\u00e7\u00e3o a 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o que informa o relat\u00f3rio anual da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) sobre crian\u00e7as e conflitos armados, divulgado na quinta-feira (19) pelo secret\u00e1rio-geral da entidade, Ant\u00f3nio Guterres.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2024, foram registrados 4.676 assassinatos e 7.291 mutila\u00e7\u00f5es, vitimando 11.967 crian\u00e7as. A nega\u00e7\u00e3o do acesso humanit\u00e1rio, com 7.906 incidentes, o recrutamento e uso de crian\u00e7as (7.402) e o sequestro de menores de idade (4.573) tamb\u00e9m apresentaram n\u00fameros extremamente preocupantes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Crian\u00e7as foram mortas e mutiladas, muitas vezes resultando em incapacidades permanentes, em n\u00fameros alarmantes, pelo uso de muni\u00e7\u00f5es explosivas, incluindo res\u00edduos explosivos de guerra, minas e dispositivos explosivos improvisados, e pelo fogo cruzado entre as partes em conflito. Ataques a instala\u00e7\u00f5es civis, incluindo escolas e hospitais, aumentaram drasticamente a vulnerabilidade das crian\u00e7as&#8221;, diz o relat\u00f3rio. Apesar de grupos armados n\u00e3o estatais terem sido respons\u00e1veis por quase 50% das viola\u00e7\u00f5es, as for\u00e7as governamentais foram as principais perpetradoras da morte e mutila\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as, de ataques a escolas e hospitais e da nega\u00e7\u00e3o de acesso humanit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Os maiores n\u00fameros de viola\u00e7\u00f5es graves foram verificados no Territ\u00f3rio Palestino Ocupado (8.554), especialmente na Faixa de Gaza, que sofre ataques massivos de Israel; na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (4.043); na Som\u00e1lia (2.568); na Nig\u00e9ria (2.436) e no Haiti (2.269).<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Siga o canal da Ag\u00eancia Brasil no WhatsApp<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Os maiores aumentos percentuais no n\u00famero de viola\u00e7\u00f5es foram verificados no L\u00edbano (545%), Mo\u00e7ambique (525%), Haiti (490%), Eti\u00f3pia (235%) e Ucr\u00e2nia (105%).<\/p>\n\n\n\n<p>Viol\u00eancia sexual<br>O n\u00famero de casos de viol\u00eancia sexual cresceu 35%, com registro de um &#8220;aumento dr\u00e1stico&#8221; dos casos de estupro coletivo, o que destaca o uso sistem\u00e1tico da viol\u00eancia sexual como t\u00e1tica deliberada de guerra, enquanto crian\u00e7as eram associadas a partes em conflito ou para aumentar o controle territorial, deslocar popula\u00e7\u00f5es e atacar a etnia ou o g\u00eanero espec\u00edfico das crian\u00e7as, entre outros objetivos, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O documento relata que meninas foram sequestradas para fins de recrutamento e uso, e para escravid\u00e3o sexual.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A viol\u00eancia sexual continua sendo amplamente subnotificada devido \u00e0 estigmatiza\u00e7\u00e3o, ao medo de repres\u00e1lias, \u00e0s normas sociais prejudiciais, \u00e0 aus\u00eancia ou \u00e0 falta de acesso a servi\u00e7os, \u00e0 impunidade e a preocupa\u00e7\u00f5es com a seguran\u00e7a, conforme relatado em meu relat\u00f3rio sobre viol\u00eancia sexual relacionada a conflitos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Nega\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria<br>A nega\u00e7\u00e3o do acesso humanit\u00e1rio atingiu &#8220;escala alarmante&#8221;, informa a ONU, com mais trabalhadores humanit\u00e1rios mortos em 2024 do que nunca, incluindo muitos funcion\u00e1rios da pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As partes em conflito atacaram comboios e pessoal de ajuda humanit\u00e1ria, detiveram arbitrariamente pessoal humanit\u00e1rio, restringiram atividades e movimentos humanit\u00e1rios, adotaram barreiras burocr\u00e1ticas e administrativas e interferiram em opera\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias, resultando em crian\u00e7as sem acesso a cuidados de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, prote\u00e7\u00e3o e necessidades vitais&#8221;, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Palestina e Israel<br>As Na\u00e7\u00f5es Unidas verificaram 8.554 viola\u00e7\u00f5es graves contra 2.959 crian\u00e7as em Israel, com maioria esmagadora de palestinas e 15 de nacionalidade israelense.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos territ\u00f3rios palestinos ocupados, incluindo Cisjord\u00e2nia, Jerusal\u00e9m Oriental e Faixa de Gaza, foram 8.544 viola\u00e7\u00f5es, sendo 4.856 em Gaza, que sofre um cerco das for\u00e7as militares do Estado de Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Al\u00e9m disso, as Na\u00e7\u00f5es Unidas receberam relatos do assassinato de 4.470 crian\u00e7as na Faixa de Gaza em 2024, que aguardam verifica\u00e7\u00e3o. Viola\u00e7\u00f5es graves verificadas foram atribu\u00eddas \u00e0s for\u00e7as armadas e de seguran\u00e7a israelenses (7.188), perpetradores n\u00e3o identificados (43), colonos israelenses (42), perpetradores palestinos individuais (11), for\u00e7as de seguran\u00e7a da Autoridade Palestina (7), Hezbollah (3) e For\u00e7as Armadas da Rep\u00fablica Isl\u00e2mica do Ir\u00e3 (1)&#8221;, acrescenta o relat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>As Na\u00e7\u00f5es Unidas tamb\u00e9m verificaram a deten\u00e7\u00e3o de 951 crian\u00e7as palestinas (940 meninos, 11 meninas) por supostas infra\u00e7\u00f5es \u00e0 seguran\u00e7a cometidas pelas for\u00e7as armadas e de seguran\u00e7a israelenses na Cisjord\u00e2nia (602), em Jerusal\u00e9m Oriental (259) e na Faixa de Gaza (90), incluindo a deten\u00e7\u00e3o pelas for\u00e7as armadas e de seguran\u00e7a israelenses de uma menina palestina cujo paradeiro permanece desconhecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Um total de 1.561 crian\u00e7as palestinas (1.131 meninos e 430 meninas) foram confirmadas como mutiladas na Cisjord\u00e2nia, incluindo Jerusal\u00e9m Oriental (620) e na Faixa de Gaza (941).<\/p>\n\n\n\n<p>Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo<br>No Congo, as Na\u00e7\u00f5es Unidas verificaram 4.043 viola\u00e7\u00f5es graves contra 3.418 crian\u00e7as (2.217 meninos, 1.201 meninas) e 453 viola\u00e7\u00f5es ocorridas em anos anteriores foram confirmadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste pa\u00eds africano, 2.365 crian\u00e7as foram recrutadas e usadas pela mil\u00edcia Raia por grupos armados n\u00e3o estatais. A regi\u00e3o leste do pa\u00eds \u00e9 palco de conflitos h\u00e1 d\u00e9cadas, com presen\u00e7a de diversos grupos armados, que tem intensificado suas a\u00e7\u00f5es desde 2022. A regi\u00e3o \u00e9 rica em minerais, o que tem atra\u00eddo grupos armados e pot\u00eancias estrangeiras, gerando disputas pelo controle de \u00e1reas e recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>O conflito tem levado \u00e0 movimenta\u00e7\u00e3o em massa de civis, com milhares de pessoas buscando ref\u00fagio em campos de deslocados internos, enfrentando condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias e riscos \u00e0 seguran\u00e7a, incluindo viol\u00eancia sexual e recrutamento for\u00e7ado.<\/p>\n\n\n\n<p>A morte (190) e a mutila\u00e7\u00e3o (248) de 438 crian\u00e7as (317 meninos e 121 meninas) foram atribu\u00eddas ao M23 (244), Codeco (47), ADF (38), Nyatura (17), APCLS (12), autores n\u00e3o identificados (10), Raia Mutomboki (8), Mai-Mai Za\u00efre (7), Mouvement congolais de d\u00e9veloppement pour la nation (MCDPIN) (7), FDLR-FOCA (5), 15 outros grupos armados (29), \u00e0s For\u00e7as Armadas da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (12) e \u00e0 Pol\u00edcia Nacional Congolesa (2).<\/p>\n\n\n\n<p>As baixas resultaram principalmente do impacto direto das opera\u00e7\u00f5es militares (250).<\/p>\n\n\n\n<p>Som\u00e1lia<br>Na Som\u00e1lia, que vive uma situa\u00e7\u00e3o de instabilidade permanente, causada por uma guerra civil, a forte presen\u00e7a de grupos armados insurgentes, como o Al-Shabaab, contribui para a inseguran\u00e7a e dificultam a reconstru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. As Na\u00e7\u00f5es Unidas verificaram 2.568 viola\u00e7\u00f5es graves contra 1.992 crian\u00e7as e 50 viola\u00e7\u00f5es ocorridas em anos anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao todo, 595 crian\u00e7as foram mortas (141) ou mutiladas (454), a maioria por autores n\u00e3o identificados (296), mas tamb\u00e9m pelo Al-Shabaab (119) e for\u00e7as de seguran\u00e7a governamentais (70). Viol\u00eancia sexual e recrutamento de crian\u00e7as para grupos armados tamb\u00e9m foram registrados.<\/p>\n\n\n\n<p>Nig\u00e9ria<br>No pa\u00eds mais populoso da \u00c1frica, com cerca de 200 milh\u00f5es de habitantes, a desigualdade social cr\u00f4nica, viol\u00eancia social e atua\u00e7\u00e3o de grupos armados levaram \u00e0 2.436 viola\u00e7\u00f5es graves contra 1.037 crian\u00e7as (386 meninos, 651 meninas) e 269 viola\u00e7\u00f5es graves ocorridas em anos anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>Cerca de 974 crian\u00e7as foram recrutadas e usadas, principalmente ap\u00f3s sequestro, pela Jama\u2019atu Ahlis Sunna Lidda\u2019Awati Wal-Jihad (JAS), pela Prov\u00edncia do Estado Isl\u00e2mico da \u00c1frica Ocidental (ISWAP), Bakura (7) e pelas For\u00e7as de Seguran\u00e7a Nigerianas (3).<\/p>\n\n\n\n<p>Um total de 732 crian\u00e7as foram detidas pelas For\u00e7as de Seguran\u00e7a Nigerianas por suposta associa\u00e7\u00e3o delas ou de seus pais com grupos armados. Todas foram libertadas. A morte (29) e a mutila\u00e7\u00e3o (20) de 49 crian\u00e7as foram atribu\u00eddas \u00e0 JAS (19), ao ISWAP (19), a perpetradores n\u00e3o identificados (10) e \u00e0s For\u00e7as de Seguran\u00e7a Nigerianas (1), incluindo casos causados \u200b\u200bpor muni\u00e7\u00f5es explosivas (33).<\/p>\n\n\n\n<p>Foram verificados casos de viol\u00eancia sexual, todos envolvendo casamento for\u00e7ado, contra 419 crian\u00e7as (7 meninos e 412 meninas) pela JAS (304), ISWAP (114) e Bakura (1).<\/p>\n\n\n\n<p>Haiti<br>No Haiti, pa\u00eds insular do Caribe que vive instabilidade pol\u00edtica e social h\u00e1 d\u00e9cadas, com a\u00e7\u00f5es de gangues armadas, as Na\u00e7\u00f5es Unidas verificaram no ano passado 2.269 viola\u00e7\u00f5es graves contra 1.373 crian\u00e7as. Em anos anteriores, foram registradas 24 viola\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O assassinato (213) e a mutila\u00e7\u00e3o (138) de 351 crian\u00e7as foram atribu\u00eddos a diversas gangues e tamb\u00e9m \u00e0 Pol\u00edcia Nacional Haitiana. Casos de viol\u00eancia sexual vitimaram 566 crian\u00e7as (523 meninas e 43 meninos). Deten\u00e7\u00f5es de dezenas de crian\u00e7as pelas for\u00e7as de seguran\u00e7a e recrutamento de menores de idade por grupos armados tamb\u00e9m foram registrados no relat\u00f3rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No ano passado, a viol\u00eancia contra crian\u00e7as em conflitos armados atingiu n\u00edveis sem precedentes, com aumento de 25% do n\u00famero de viola\u00e7\u00f5es graves em compara\u00e7\u00e3o a 2023. \u00c9 o que informa o relat\u00f3rio anual da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) sobre crian\u00e7as e conflitos armados, divulgado na quinta-feira (19) pelo secret\u00e1rio-geral da entidade, Ant\u00f3nio Guterres. 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