{"id":6702,"date":"2025-06-10T11:45:51","date_gmt":"2025-06-10T14:45:51","guid":{"rendered":"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/index2.php\/?p=6702"},"modified":"2025-06-10T11:45:51","modified_gmt":"2025-06-10T14:45:51","slug":"bercario-de-cobra-e-choque-na-aranha-como-veneno-vira-soro-no-butantan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/index2.php\/bercario-de-cobra-e-choque-na-aranha-como-veneno-vira-soro-no-butantan\/","title":{"rendered":"Ber\u00e7\u00e1rio de cobra e choque na aranha: como veneno vira soro no Butantan."},"content":{"rendered":"\n<p>Dentro de salas com 17 mil escorpi\u00f5es, 13 mil aranhas e centenas de cobras em caixas organizadoras nasce o ant\u00eddoto para a maioria dos incidentes envolvendo animais pe\u00e7onhentos do Brasil. O Instituto Butantan, na zona oeste de S\u00e3o Paulo, \u00e9 casa desses bichos e local de trabalho de bi\u00f3logos, t\u00e9cnicos, veterin\u00e1rios e muitos outros profissionais que salvam vidas fazendo ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Doze soros diferentes s\u00e3o produzidos no Butantan, oito deles para situa\u00e7\u00f5es envolvendo animais pe\u00e7onhentos. Para se criar o soro, os venenos das cobras, aranhas e escorpi\u00f5es s\u00e3o retirados, purificados, dilu\u00eddos em ant\u00edgenos e administrados em cavalos. Os anticorpos produzidos pelos equinos s\u00e3o coletados pelo plasma do sangue, passam por uma planta industrial e, ap\u00f3s uma s\u00e9rie de controles de qualidade, viram frasquinhos de ant\u00eddoto, distribu\u00eddos para todo o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Para fazer 30 litros de soro \u00e9 necess\u00e1rio, em m\u00e9dia, 300 litros de plasma. Isso torna a extra\u00e7\u00e3o dos venenos essencial e exige que uma equipe grande e qualificada trabalhe na manuten\u00e7\u00e3o dos bichos.<\/p>\n\n\n\n<p>O escorpi\u00e3o-amarelo (Tityus serrulatus) \u00e9 considerado um aracn\u00eddeo e &#8220;participa&#8221; de dois soros produzidos pelo Butantan. Para recolher o veneno dele, um t\u00e9cnico segura o animal pelo rabo com uma pin\u00e7a, o acomodando na m\u00e3o nua. Com um movimento \u00e1gil, o polegar e o indicador substituem a pin\u00e7a, imobilizando a cauda, dando um choque no rabo do animal para pingar o veneno em um frasco. Luvas n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias na administra\u00e7\u00e3o do escorpi\u00e3o, j\u00e1 que o ferr\u00e3o pode furar o l\u00e1tex.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a aranha marrom (Loxosceles), o trabalho \u00e9 mais delicado e precisa de duas pessoas. Enquanto um t\u00e9cnico segura as patinhas e d\u00e1 um pequeno choque na regi\u00e3o da cabe\u00e7a (onde fica a gl\u00e2ndula de veneno), outro, com uma seringa, puxa a gotinha que se forma. O processo com a aranha armadeira (Phoneutria) \u00e9 semelhante, mas o cuidado com elas deve ser redobrado. Maiores, os animais tamb\u00e9m s\u00e3o mais \u00e1geis.<\/p>\n\n\n\n<p>Veneno das aranhas precisa ser congelado rapidamente. O material, principalmente o expelido pela marrom, \u00e9 vol\u00e1til e oferece risco aos t\u00e9cnicos se n\u00e3o for armazenado de forma correta. &#8220;O veneno \u00e9 muito alerg\u00eanico, ent\u00e3o, se for inalado, pode causar coriza, deixar os olhos inchados. Por isso a gente coloca no gelo seco&#8221;, explica Thiago Mathias Chiariello, coordenador de produ\u00e7\u00e3o do Instituto Butantan.<\/p>\n\n\n\n<p>Com as cobras, o processo de extra\u00e7\u00e3o do veneno \u00e9 diferente. Um por um, os animais s\u00e3o retirados das suas caixas e colocados em um tanque com g\u00e1s carb\u00f4nico, que os deixa sonolentos. Ap\u00f3s &#8220;apagarem&#8221;, eles s\u00e3o manejados por um tecnologista de laborat\u00f3rio, que exp\u00f5e as presas e, com ajuda das m\u00e3os e de uma pin\u00e7a, faz o veneno fluir para um becker. As cobras corais, que t\u00eam presas menores, ficam com pequenos frascos acoplados \u00e0s presas delas para a retirada.<\/p>\n\n\n\n<p>O manejo das cobras tamb\u00e9m precisa ser feito por ao menos duas pessoas. \u00c9 importante que um dos t\u00e9cnicos segure a regi\u00e3o da cauda e evitando que, caso o bicho acorde, vire o corpo em dire\u00e7\u00e3o a quem est\u00e1 segurando a cabe\u00e7a. Durante a nossa visita ao Butantan, acompanhamos a retirada do veneno de duas jararacu\u00e7us. Elas doam 12,5% do veneno que comp\u00f5e o soro antibotr\u00f3pico, um dos mais usados, j\u00e1 que acidentes com jararacas s\u00e3o 64% de todas as ocorr\u00eancias com serpentes no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo de extra\u00e7\u00e3o do veneno \u00e9 estressante para os animais, mas acontece raramente na rotina deles. Em m\u00e9dia, o veneno das cobras, aranhas e escorpi\u00f5es \u00e9 retirado uma vez por m\u00eas. A reprodu\u00e7\u00e3o deles \u00e9 monitorada para que haja esp\u00e9cimes suficientes para extra\u00e7\u00e3o constante.<\/p>\n\n\n\n<p>Alimenta\u00e7\u00e3o regrada e calend\u00e1rio: como vivem os doadores de veneno.<\/p>\n\n\n\n<p>Os animais que t\u00eam veneno recolhido no Butantan n\u00e3o s\u00e3o os mesmos que ficam expostos no museu do instituto. Os &#8220;doadores&#8221; ficam guardados em salas espec\u00edficas dentro dos laborat\u00f3rios de artr\u00f3podes e de herpetologia. Nesses locais, tudo \u00e9 controlado: desde a temperatura das salas at\u00e9 a alimenta\u00e7\u00e3o, anotada em tabelas pelos bi\u00f3logos, veterin\u00e1rios e t\u00e9cnicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Criadouro de baratas e grilos garante alimento das aranhas e escorpi\u00f5es. Os insetos s\u00e3o contabilizados e guardados ao lado da sala das armadeiras. Para as cobras, a alimenta\u00e7\u00e3o varia, indo de camundongos a filhotes de outras esp\u00e9cies, selecionados pelas equipes.<\/p>\n\n\n\n<p>Coral verdadeira \u00e9 a cobra que come com mais frequ\u00eancia. Enquanto outras esp\u00e9cies de serpentes comem uma vez ao m\u00eas, ela precisa se alimentar a cada duas semanas. Por isso, acaba recebendo uma dieta bem variada, que vai de filhotes de najas at\u00e9 uma &#8220;lingui\u00e7a&#8221; feita por veterin\u00e1rios do Butantan com os nutrientes necess\u00e1rios para seu desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dois laborat\u00f3rios tamb\u00e9m t\u00eam ber\u00e7\u00e1rios, onde a continuidade das esp\u00e9cies \u00e9 garantida. Parte das ninhadas vira alimento, mas o resto delas \u00e9 selecionado para ter o desenvolvimento monitorado e acompanhado pelos t\u00e9cnicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Locais onde os animais s\u00e3o armazenados t\u00eam o tamanho ideal para eles. Os t\u00e9cnicos do instituto tentam preservar algumas caracter\u00edsticas na manuten\u00e7\u00e3o dos bichos, como colocar camadas de serrapilheira nas caixas das cobras corais, ou evitar o contato constante de aranhas com outras esp\u00e9cies para evitar o canibalismo entre elas.<\/p>\n\n\n\n<p>Boa parte dos animais chega ao Butantan trazidas por \u00f3rg\u00e3os de S\u00e3o Paulo e de outras cidades do pa\u00eds. A pluralidade dos bichos no acervo da institui\u00e7\u00e3o \u00e9 importante porque torna o veneno mais completo, j\u00e1 que esp\u00e9cies semelhantes ter\u00e3o comportamentos e dieta diversas em partes diferentes do Brasil, o que pode afetar o veneno.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8221; Jararacas e cascaveis s\u00e3o comuns para n\u00f3s, ent\u00e3o n\u00e3o tem por que trazer esses bichos para dentro do plantel se estamos reproduzindo eles em cativeiro h\u00e1 muitos anos. Mas se for uma jararaca e cascavel que n\u00e3o s\u00e3o da Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo, ou da \u00e1rea expandida, elas s\u00e3o interessantes, como uma jararaca do Rio de Janeiro, ou uma jararaca pintada do sul de Minas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Giovanni Perez, bi\u00f3logo e tecnologista de laborat\u00f3rio do Instituto Butantan.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte:UOl<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dentro de salas com 17 mil escorpi\u00f5es, 13 mil aranhas e centenas de cobras em caixas organizadoras nasce o ant\u00eddoto para a maioria dos incidentes envolvendo animais pe\u00e7onhentos do Brasil. 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