{"id":6617,"date":"2025-06-08T13:23:38","date_gmt":"2025-06-08T16:23:38","guid":{"rendered":"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/index2.php\/?p=6617"},"modified":"2025-06-08T13:23:38","modified_gmt":"2025-06-08T16:23:38","slug":"mais-de-30-especies-exoticas-ameacam-equilibrio-da-baia-de-todos-os-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rosarioitanews.com.br\/index2.php\/mais-de-30-especies-exoticas-ameacam-equilibrio-da-baia-de-todos-os-santos\/","title":{"rendered":"Mais de 30 esp\u00e9cies ex\u00f3ticas amea\u00e7am equil\u00edbrio da Ba\u00eda de Todos-os-Santos."},"content":{"rendered":"\n<p>Trinta e seis esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras, que amea\u00e7am o equil\u00edbrio ambiental, foram identificadas na Ba\u00eda de Todos-os-Santos (BTS), na Bahia, por pesquisadores do Programa Ecol\u00f3gico de Longa Dura\u00e7\u00e3o dos Ecossistemas Marinhos da BTS.<\/p>\n\n\n\n<p>A Ba\u00eda de Todos-os-Santos \u00e9 a maior do Brasil e segunda maior do mundo, com 1.180 km de praias e uma \u00e1rea de 1.233 quil\u00f4metros quadrados, que equivale a quase o dobro do tamanho de Salvador. Ela \u00e9 composta por 56 ilhas e engloba 16 munic\u00edpios, incluindo a capital baiana.<\/p>\n\n\n\n<p>Na regi\u00e3o, uma for\u00e7a-tarefa formada por pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (Ufba), da Secretaria de Meio Ambiente da Bahia (Sema) e da ONG Promar monitora a evolu\u00e7\u00e3o dos organismos que n\u00e3o fazem parte da biodiversidade da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os especialistas, ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel mensurar os impactos causados por algumas esp\u00e9cies j\u00e1 estabelecidas no mar; a essas cabe apenas o controle. J\u00e1 outras \u2014 como coral-sol, coral-mole, siri-bidu e peixe-le\u00e3o \u2014 s\u00e3o as que mais afetam os ecossistemas locais e t\u00eam impactos mais claros.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas quatro esp\u00e9cies tamb\u00e9m colocam em risco a pesca artesanal, parte importante da economia, sobretudo para subsist\u00eancia de pescadores e marisqueiras.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Tiago Porto, diretor de pol\u00edticas e planejamento ambiental da Sema, a introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies invasoras ex\u00f3ticas na Ba\u00eda ocorre principalmente de forma acidental. Veja como isso acontece:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Transporte por navios: a maioria dessas esp\u00e9cies chegou \u00e0 Ba\u00eda por meio de embarca\u00e7\u00f5es que trafegam pela regi\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li>Fixa\u00e7\u00e3o nos cascos: elas viajam presas aos cascos dos navios, facilitando sua dispers\u00e3o para novos ambientes.<\/li>\n\n\n\n<li>Plataformas de petr\u00f3leo: algumas esp\u00e9cies tamb\u00e9m s\u00e3o transportadas em estruturas como plataformas mar\u00edtimas.<\/li>\n\n\n\n<li>Correntes marinhas: no caso espec\u00edfico do peixe-le\u00e3o, a dispers\u00e3o ocorre pelas correntes oce\u00e2nicas.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m esp\u00e9cies como os corais-azul e marrom que, segundo o professor doutor Igor Cruz, da Universidade Federal da Bahia \u2014 pesquisador de recifes da Ba\u00eda de Todos-os-Santos desde 2007 \u2014, foram propositadamente introduzidas no local por aquaristas, pessoas que criam peixes, plantas e outros organismos aqu\u00e1ticos em aqu\u00e1rios ou tanques, seja por fins ornamentais ou de estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>A maioria dessas esp\u00e9cies foi avistada na cidade de Porto Seguro, no extremo sul do estado, em Gamboa do Morro, pequeno vilarejo de pescadores pertencente ao munic\u00edpio de Cairu, e nas regi\u00f5es do Porto da Barra, Vit\u00f3ria e Boa Viagem, na capital baiana.A maioria dessas esp\u00e9cies foi avistada na cidade de Porto Seguro, no extremo sul do estado, em Gamboa do Morro, pequeno vilarejo de pescadores pertencente ao munic\u00edpio de Cairu, e nas regi\u00f5es do Porto da Barra, Vit\u00f3ria e Boa Viagem, na capital baiana.<\/p>\n\n\n\n<p>Duas das esp\u00e9cies que mais colocam em risco esp\u00e9cies nativas e preocupam os pesquisadores s\u00e3o o coral-sol (Tubastraea spp.) e o coral-mole (Chromonephthea braziliensis). Ambos s\u00e3o organismos ex\u00f3ticos que se proliferam em diferentes pontos da Ba\u00eda, como recifes rasos, naufr\u00e1gios e at\u00e9 estruturas artificiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Coral-sol: com colora\u00e7\u00e3o alaranjada vibrante, \u00e9 original do Indo-Pac\u00edfico e j\u00e1 \u00e9 considerado uma das piores esp\u00e9cies invasoras marinhas localizadas no Brasil. Os riscos s\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Libera subst\u00e2ncias qu\u00edmicas que prejudicam indiv\u00edduos de outras esp\u00e9cies que estejam em contato direto.<\/li>\n\n\n\n<li>Cresce sobre rochas e esmaga corais nativos. Ocupa tamb\u00e9m locais onde normalmente cresceriam algas, esponjas e organismos que fazem parte da dieta dos peixes.<\/li>\n\n\n\n<li>Peixes deixam a regi\u00e3o por falta de alimento. Isso impacta diretamente a pesca local.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Coral-mole: identificado recentemente na costa da Ilha de Itaparica, embora menos conhecido, tamb\u00e9m apresenta crescimento agressivo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm poucos meses, forma um tapete espesso que toma conta de toda a estrutura onde se instala\u201d, contou o professor Igor Cruz.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma das a\u00e7\u00f5es promovidas pela ONG Promar, Sema e pesquisadores, entre os dias 16 e 20 de maio, foi retirada mais de uma tonelada de coral-mole entre a Ilha de Itaparica e a regi\u00e3o de Praia do Forte, no litoral norte da Bahia.<\/p>\n\n\n\n<p>Siri-bidu: o &#8216;destruidor&#8217; de manguezais<br>Outro protagonista da mudan\u00e7a silenciosa dos ambientes \u00e9 o siri-bidu (Charybdis hellerii), um crust\u00e1ceo origin\u00e1rio da costa atl\u00e2ntica norte-americana. Com h\u00e1bitos considerados vorazes e escavadores, ele tem afetado os estu\u00e1rios da Ba\u00eda.<\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a do crust\u00e1ceo j\u00e1 ocupou amplamente a Ba\u00eda de Todos-os-Santos, inclusive \u00e9 capturada pela comunidade pesqueira assim como as esp\u00e9cies nativas, apesar de ser identificada como invasora ex\u00f3tica.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Metade da produ\u00e7\u00e3o pesqueira da Bahia de Todos-os-Santos est\u00e1 associada ao siri. Ou seja, \u00e9 uma biomassa pesqueira muito elevada e o siri-bidu j\u00e1 faz parte desse processo de pesca&#8221;, detalhou o professor Jos\u00e9 Amorim Reis Filho, integrante do programa ecol\u00f3gico que pesquisa os ecossistemas marinhos na Ufba.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de n\u00e3o existir um programa de monitoramento ou estudos detalhados sobre os impactos causados apenas por esta esp\u00e9cie, j\u00e1 foi identificado que ela:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Transmite doen\u00e7a para camar\u00f5es.<\/li>\n\n\n\n<li>Se alimenta da mat\u00e9ria org\u00e2nica.<\/li>\n\n\n\n<li>Compete com esp\u00e9cies nativas por alimento e abrigo.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Peixe-le\u00e3o: belo, venenoso e perigoso<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores e pescadores tamb\u00e9m est\u00e3o em alerta com o peixe-le\u00e3o (Pterois volitans). Com espinhos venenosos e apar\u00eancia chamativa, j\u00e1 foi registrada na Ba\u00eda de Todos-os-Santos e apresenta v\u00e1rios riscos. S\u00e3o eles:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Popula\u00e7\u00e3o cresce rapidamente. Se reproduz muitas vezes ao ano e consegue gerar milhares de ovos e larvas durante os processos reprodutivos.<\/li>\n\n\n\n<li>Na fase adulta ele pode alcan\u00e7ar at\u00e9 47 cm com 18 espinhos venenosos.<\/li>\n\n\n\n<li>Potenciais predadores n\u00e3o o reconhecem como presa, por n\u00e3o ser uma esp\u00e9cie nativa.<\/li>\n\n\n\n<li>Se alimenta desenfreadamente, o que pode causar colapso em algumas cadeias alimentares.<\/li>\n\n\n\n<li>Esp\u00e9cie invasora tamb\u00e9m pode ser perigosa para seres humanos que a toquem acidentalmente. Dependendo da quantidade de pe\u00e7onha na pele do indiv\u00edduo, pode causar altera\u00e7\u00f5es de press\u00e3o arterial, parada card\u00edaca e infec\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Na Ba\u00eda de Todos-os-Santos, foram notificados, at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem, cinco indiv\u00edduos de peixe-le\u00e3o em idade adulta e reprodutiva, segundo a Sema. Eles foram avistados na regi\u00e3o de Morro de S\u00e3o Paulo, Baixo Sul do estado, e em Salvador.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o existe um programa de monitoramento espec\u00edfico para detectar a esp\u00e9cie. Os registros feitos s\u00e3o considerados pontuais e eventuais.<\/p>\n\n\n\n<p>A Sema informou que a bioinvas\u00e3o da esp\u00e9cie \u00e9 muito recente na Bahia, e que iniciou a elabora\u00e7\u00e3o dos &#8220;Protocolos de Alerta, Detec\u00e7\u00e3o Precoce e Resposta R\u00e1pida&#8221;. Al\u00e9m disso, oficinas ser\u00e3o realizadas no segundo semestre de 2025 para a elabora\u00e7\u00e3o de um documento de forma conjunta e participativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a\u00e7\u00e3o humana<br>Os especialistas afirmam que o movimento tamb\u00e9m est\u00e1 ligado ao aquecimento das \u00e1guas, \u00e0 intensa circula\u00e7\u00e3o mar\u00edtima internacional e \u00e0s mudan\u00e7as nos ecossistemas costeiros causadas por polui\u00e7\u00e3o, urbaniza\u00e7\u00e3o e altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e3o afetando os ecossistemas e as esp\u00e9cies de v\u00e1rias formas. Os impactos est\u00e3o muito acentuados pelas quest\u00f5es clim\u00e1ticas e tudo isso pode favorecer a expans\u00e3o das \u00e1reas de ocorr\u00eancia das esp\u00e9cies invasoras&#8221;, explicou diretor de pol\u00edticas e planejamento ambiental da Sema, Tiago Porto.<\/p>\n\n\n\n<p>A remo\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies segue protocolos de manejo estabelecidos pela Sema, e a identifica\u00e7\u00e3o delas \u00e9 feita por parceiros como professores da Ufba e a ONG Promar. A presen\u00e7a delas acende um alerta na Ba\u00eda de Todos-os-Santos, mas a comunidade pesqueira tem um papel importante.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO pescador \u00e9 o primeiro a perceber quando algo muda no mar. \u00c9 ele quem pode nos ajudar a monitorar e agir r\u00e1pido. Mas \u00e9 preciso dar estrutura, forma\u00e7\u00e3o e apoio para isso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O que fazer se encontrar um animal ex\u00f3tico invasor<br>Para evitar o avan\u00e7o das esp\u00e9cies nas regi\u00f5es, equipes da Secretaria de Meio Ambiente come\u00e7aram a organizar, em 2023, um plano de resposta \u00e0 bioinvas\u00e3o. As orienta\u00e7\u00f5es s\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>N\u00e3o mate e n\u00e3o fa\u00e7a a retirada.<\/li>\n\n\n\n<li>Entre em contato pelo e-mail peld.bts@gmail.com.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Para a pessoa ficar apta a realizar a remo\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, deve-se protocolar um pedido ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama), com a indica\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie a ser removida e da tecnologia que ser\u00e1 utilizada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trinta e seis esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras, que amea\u00e7am o equil\u00edbrio ambiental, foram identificadas na Ba\u00eda de Todos-os-Santos (BTS), na Bahia, por pesquisadores do Programa Ecol\u00f3gico de Longa Dura\u00e7\u00e3o dos Ecossistemas Marinhos da BTS. 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